"O Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água;"
Salmos 63:01



Ronaldo Lidório

O deserto é possivelmente uma das mais claras representações da ausência de vida e esperança. Beduínos e Tuaregues - povos do deserto - desenvolveram milenares técnicas de sobrevivência para resistirem à angustiante mistura de sol, calor e areia. Anos atrás, atravessei a parte ocidental do Saara e, apesar de estar acostumado com as temperaturas tropicais, nada me preparou para os 54 graus à sombra durante aquelas tardes. Lembro-me que o pensamento mais obsessivo e recorrente era simplesmente água, o elemento mais desejado em terras áridas.

Davi escreveu o Salmo 63 no deserto de Judá, enquanto fugia de Saul. Encontrava-se em um dos momentos mais constrangedores de sua vida. Além de estar no deserto, tomado pelo desconforto e temores natos ao ambiente, seu povo e rei o perseguiam.

Contrariando a natural tendência do descontentamento de coração perante as caminhadas desérticas, Davi revela, ali mesmo na areia, que a sua alma tinha “sede de Deus”. Este parece ter sido o pensamento mais paradoxal que passou pela mente do salmista: a sede de Deus era maior que a sede de água. A busca pela presença de Deus era mais forte que qualquer outra carência humana.

Quando em caminhadas solitárias e perseguidos pelos que antes eram mais chegados que irmãos, devemos nos conscientizar desta verdade transformadora: precisamos mais de Deus em nossas vidas do que água no deserto. C.S. Lewis nos diz que “o amor é o princípio da existência, e seu único fim”. Com isto nos incita a pensar que o amor não é apenas o meio, mas também o propósito final. Somos convidados, em toda a caminhada cristã, a andar de forma paradoxal em expressões de amor: perder a vida para ganhá-la; oferecer a outra face a quem nos fere; esperar contra a esperança; amar, e não odiar, os inimigos; perdoar, mesmo perante óbvias razões para a amargura; desejar mais a Deus do que a água, mesmo quando se vagueia, foragido, por entre terras mais secas.

É nessa caminhada que encontramos descanso verdadeiro. Davi não apenas fala da possibilidade de descanso em Deus, mas o experimenta. Os principais verbos nos versos 06 a 08 estão no presente. Davi se lembra, pensa e canta o descanso em Deus enquanto caminha - não apenas o planeja fazê-lo amanhã. Reconhecer que a presença de Deus é melhor que a vida parece ser o exercício mais transformador – de mente, coração e visão de mundo - que qualquer pessoa possa experimentar.

Somos amados por Deus e esse fato deveria definir a forma pela qual vemos a vida e o mundo ao nosso redor. Ser amado por Deus é entender que somos convidados a um relacionamento eterno, é perceber que estamos em lugar seguro e saber que não há nada melhor.

A construção desta canção do deserto revela a alma de Davi. No verso 01, ele expressa que tinha sede de Deus. Nos versos 02 a 05, ele louva a Deus pelo Seu amor que é melhor que sua própria existência. Nos versos 06 a 08, Davi descansa no Senhor e, finalmente, nos versos 09 a 11, ele declara sua confiança na vitória sobre os inimigos.

Encontro-me rotineiramente com pessoas as quais, à semelhança de Davi, experimentam a solidão do deserto, o constrangimento da fuga e a incerteza dos que não sabem para onde vão. A vida, nesses momentos, torna-se mais lenta, opaca e pesada. Porém, justamente em ocasiões assim, a presença de Deus nos convida a crer um pouco mais e nos encoraja a continuar caminhando. Em um relance olhamos para trás e percebemos que no passado o Senhor foi fiel, mesmo no dia mais escuro. Amanhã não será diferente. A presença de Deus sempre traz à memória o que pode nos dar esperança.

Lutero, citado por Mahaney em seu livro “Glory do Glory”, diz-nos que: “esta vida, portanto, não é justiça, mas crescimento em justiça. Não é saúde, mas cura. Não é ser, mas se tornar. Não é descansar, mas exercitar. Ainda não somos o que seremos, mas estamos crescendo nesta direção. O processo ainda não está terminado, mas vai prosseguindo. Não é o final, mas é a estrada. Todas as coisas ainda não brilham em glória, mas todas as coisas vão sendo purificadas”.

Que o Senhor se mostre presente em nossas vidas. Nestes dias o deserto se tornará lugar de alegria e descanso.

Fonte: Ronaldo Lidório


Fogo para Missões

"...não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo..."
Mateus 10:28

Um pesamento me incomodou enquanto eu orava pelos irmãos perseguidos na Indonésia (PORTAS ABERTAS), enquanto orava por consolo e força para que estes irmãos suportassem seus sofrimentos, fui lembrado da primeira carta de Pedro, no capítulo 5, versículos 8 e 9, onde diz: "...Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo...".

Lembrei do meu esforço diário para vencer minhas próprias tentações, de minhas orações por força, para resistir a todas elas, então, entendi que os cristãos da Igreja Perseguida sofrem estas mesmas tentações, nas mesmas áreas que eu e você, então passei a orar da mesma forma por eles, por resistência, pois se por um lado a perseguição pode tirar-lhes a vida, por outro, ceder a tentação do diabo pode matá-los eternamente.


Diante disso o pensamento que já me incomodava, agora me levou rapidamente a pensar se nós realmente temos consciência do efeito que o pecado tem em nossa eternidade. Será que no Brasil, com tanta liberdade que temos, realmente entendemos a profundidade do que significa ser perseguido? Entendemos que significa perseguição?


Porque para muitos, esta palavra está sob a ótica da perseguição física, o que, como cristãos não vivenciamos em nosso país, eis a razão pela qual facilmente perdemos a noção do que está em risco.


O fuzil que nos ameaça vem em cores diferentes, a faca que nos é posta à garganta tem um brilho diferente, as correntes com as quais satanás quer nos prender não são frias, mas confortáveis, e é aqui que mora a morte, não a morte como de mártires, mas de eternamente perdidos.


Muitos de nós, têm por certo em seu coração que jamais negarão ao SENHOR, mesmo diante da ameaça de tortura ou morte, e não vou ser eu quem irá julgar a sinceridade destes corações, mas, enquanto orava pelos irmãos lá da Indonésia, pensei sobre a facilidade com que negamos a Jesus diante de ameaças desarmadas.


Sutilmente, e diariamente, milhares de cristãos são perseguidos e impiedosamente mortos em seus próprios pecados, os golpes e disparos são incessantes até que a morte chega através de pequenas janelinhas na internet, com as reações violentas no trânsito, as respostas grosseiras no trabalho, piadas de humor duvidoso, e quando se percebe a morte chega para o cristão e para quem estiver perto, é um verdadeiro ataque terrorista onde os estilhaços do pecado são lançados por todo lado.


O cheiro de morte se espalha, assim como uma granada o som é ensurdecedor e as vozes de acusação logo ocupam todo o lugar, o resultado da explosão de um pecado é devastador, fica difícil identificar entre os destroços quem era e quem não era o cristão. Mas tudo começa pequeno, esta é a mortal sutileza do pecado que tão ferozmente nos assedia, e é nossa a responsabilidade de evitarmos sua explosão.


"Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo."
I João 2:01

Pense nisso e não se entregue, ore ao SENHOR pedindo forças para resistir, compartilhe suas lutas com sua liderança (pastores e líderes de jovens por exemplo) e procure caminhar junto com cristãos maduros na fé, sem deixar de lado os pequeninos que estão começando agora a caminhada, tome uma atitude diante daquilo que te provoca contra o SENHOR, radicalize, seja santo. Faça bom uso da liberdade que nosso país ainda oferece, e lembre-se: é preciso morrer para Viver.

Fogo para Missões
(Inspirado em um artigo publicado por Edinelson Lopes em 2011)

“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta.”
Hebreus 12:01


Toda decisão trás consigo suas consequências, tudo o que plantamos nos proporciona frutos, nossas escolhas nos levam aos mais diversos lugares e situações. Existem pessoas que evitam ter que tomar decisões por medo das consequências, ou até mesmo da responsabilidades que assumirão, mas esquecem que não tomar decisão nenhuma, já é uma decisão tomada, que igualmente trás consigo seus resultados e consequências, seus frutos.

Para muitos é assustador olhar para frente e não saber onde você estará, isso realmente pode preocupar alguém, mas também pode ser uma oportunidade para hoje, fazer a escolha certa, que lhe permita estar onde o SENHOR quer exatamente que você esteja.

Para outros é frustrante olhar para trás e reconhecer que as escolhas não foram as melhores, isso realmente pode frustrar alguém, mas também pode ser uma excelente oportunidade para ajustar o foco, fazer a escolha certa, que lhe permita estar onde o SENHOR quer exatamente que você esteja.

Não importa se há o medo do futuro ou a frustração pelo passado, mas é preciso entender que o SENHOR tem algo importante a fazer em e através de sua vida, e tudo começa com uma simples escolha, por isso, escolha conhecer qual a vontade de Deus para sua vida e saber onde Ele quer exatamente que você esteja, escolha servir ao SENHOR,

Escolha amar a Deus acima de todas as coisas, ame ao SENHOR de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento (Lucas 10:27). Certamente Ele mesmo se certificará de que você se surpreenda diariamente com Seu cuidado sobre sua vida. 

Faça hoje a escolha certa, que lhe permitirá estar em graciosa segurança quando o SENHOR te chamar para compartilhar as Boas Novas de Jesus Cristo, pois acredite, Ele o fará!

"Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação."
Hebreus 3:15

Você tem interesse por missões? Ótimo, então ore ao SENHOR e fale com seu pastor ou líder, conte para ele sobre sua disposição pessoal, certamente em sua igreja local ou comunidade haverá algo, um trabalho, um ministério que você poderá contribuir com seus talentos.

Observação: Este texto foi revisado e editado em 18 de fevereiro de 2017.

Fogo para Missões

"É necessário que ele cresça e que eu diminua."
João 3:30


Eu moro no nordeste. Para muitas pessoas aqui, Junho é o mês de São João. Maria, a mãe do nosso Senhor Jesus Cristo e Isabel eram parentes (Lucas 1:36). Segundo a tradição, elas combinaram para que, quando o filho de Isabel nascesse, esta ascenderia uma fogueira para avisar a Maria. Daí surgiu a tradição das fogueiras na véspera de São João. O filho que nasceu a Isabel foi aquele conhecido como João Batista.

Hoje, curiosamente, devido à proximidade do feriado de São João com o de Corpus Christi, muitos resolvem “trocar” o feriado de Corpus Christi pelo de São João. Ou seja, ao invés de separar um dia para comemorar Corpus Christi, uma data designada para lembrar a instituição da eucaristia, comemoram uma data mais festiva, a de São João.

Alguns podem alegar com toda razão que nenhuma das datas consta nas Escrituras e portanto não devem ser nem reconhecidas. Mas, outros respeitam e separam um tempo especial para estes dias. Talvez nem devíamos ligar. Ou talvez poderíamos aproveitar a oportunidade para lembrarmos a nós mesmos e aos nossos próximos que, por trás de feriados e datas e nomes de santos, haviam personagens verídicos, com histórias de grande importância para nós hoje. O que será que o próprio João Batista, o “São João”, teria pensado?

A missão de João foi prevista em profecia (Mateus 3:03; Isaías 40:03; Malaquias 3:01) e seu nascimento anunciado por um anjo (Lucas 1:13 a 17). Ele era cheio do Espírito Santo desde antes que nasceu (Lucas 1:15). Como adulto, João pregou com poder, sendo ouvido por multidões que se arrependeram e foram batizadas (Marcos 1:04 e 05). O próprio Jesus pediu para ser batizado por João (Mateus 3:13) e afirmou que “entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista” (Mateus 11:11).

Apesar de tudo isso, João reconheceu que por maior e mais importante que sua missão fosse, ele seria ultrapassado por Jesus. Ao se comparar pessoalmente a Jesus, ele afirmou “Convém que ele cresça e que eu diminua”.

João falou assim de Jesus:

“Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias.”
Marcos 1:07

Quando Jesus quis ser batizado por João, João respondeu: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?
Mateus 3:14

...viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim.
João 1:29 e 30

“Convém que ele cresça e que eu diminua. Quem vem das alturas certamente está acima de todos; quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos."
João 3:30 e 31

A profecia a respeito de João focalizou a coisa mais importante que ele seria e faria: “Voz do que clama no deserto”. João proclamou a vinda de Jesus. Ele anunciou a missão de Jesus. Ele não gastou seu tempo e energia falando de si ou de sua missão. Ele se concentrou naquele que era mais importante – Jesus. Alguém disse “João foi apenas uma voz, mas ainda podemos ouvir o som daquela voz ecoando pelos corredores dos séculos”.

O que aquela voz anunciou ainda precisa ser anunciado hoje. O mundo precisa ouvir ainda que Jesus é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, que há uma esperança e que a morte não é o fim das nossas vidas.

Nos anos 50 o famoso evangelista W. E. Sangster descobriu que tinha uma doença incurável, que causava atrofia muscular progressiva. Seus músculos iriam aos poucos atrofiar e ele perderia sua voz. Sangster se entregou ao máximo no seu trabalho de missões domésticas na Inglaterra.

Mas, aos poucos sua voz acabou por completo. Tremendo, ele ainda conseguia segurar uma caneta. Na manhã de seu último domingo de páscoa, poucas semanas antes de falecer, ele escreveu um recado para sua filha.

Na mensagem ele escreveu: "É terrível acordar no domingo de Páscoa sem voz para proclamar 'Ele ressuscitou!'. Porém, mais terrível ainda seria ter uma voz e não ter nada para proclamar".

Ao lembrarmos “São João” nesta época do ano, podemos não ter muita eloqüência ou posição de destaque. Podemos estar apenas num lugar humilde e com poucos recursos. Mas, a maioria de nós temos tudo que João tinha – o conhecimento de quem é Jesus e o que Ele fez por nós – e uma voz para anunciar. Que sejamos fiéis naquilo que o Senhor nos deu e aonde ele nos colocou, vozes proclamando a Jesus Cristo, ainda que no deserto.

Por: Dennis Downing

Fogo para Missões

"E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra."
Hebreus 11:36 a 38

Estive pensando em publicar aqui algumas sugestões de livros que estou lendo ou que tenha lido, o que acham?

Existem alguns livros que me edificaram muito e que me ajudaram a ter uma melhor compreensão da Obra de Deus, do chamado pessoal, enfim, me ensinaram sobre responsabilidade e tantas outras verdades bíblicas.

Então quero começar com este que é um livro ícone para qualquer um que queira realmente saber como a Verdade chegou até nós, e assim dar mais valor a liberdade que temos, "O Livro dos Mártires".

Para mim, este não é apenas um livro, mas um grito, um chamado que está ecoando a quase meio século, escrito com sangue de justos, de filhos, de guerreiros, de homens, mulheres e até mesmo crianças que não brincaram em seu tempo, mas tombaram para o mundo e entraram na glória com a vitória nas mãos.

O livro dos Mártires é um clássico da literatura mundial, ignorado até há pouco tempo pelos cristãos do Brasil. O livro reconta as vidas, os sofrimentos e as mortes triunfantes dos mártires cristãos da História. Iniciando-se com a história do primeiro mártir - o próprio Jesus Cristo - este relato histórico traça as raízes da perseguição religiosa. Expõe os casos de mártires famosos como John Wycliffe, John Huss, William Tyndale, Martinho Lutero, Thomas Cranmer e muitos outros.

A publicação deste artigo, ou de qualquer outro artigo que contenha sugestão de livros aqui no BlogFpM, não é feita com o objetivo de divulgar editoras ou a promoção de qualquer forma de comércio, mas unicamente, e apenas, oferecer a nossos leitores a possibilidade de conhecer literaturas, que em nossa opinião, são realmente relevantes para o crescimento espiritual e das Escrituras.

Nada substitui a leitura das Escrituras, regada de uma vida de oração e jejum!

Fogo para Missões

"Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da macedônia; Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade."
II Coríntios 8:01 e 02


A Bíblia diz que a contribuição não é um peso, mas uma graça e graça é um dom imerecido (II Coríntios 8:01). A contribuição não é apenas algo que oferecemos a Deus, mas sobretudo, um favor que Deus concede a nós. Deus nos dá o privilégio de sermos parceiros no grande projeto de evangelizarmos o mundo e assistirmos os santos. A contribuição é uma semeadura e o dinheiro é uma semente. A semente que se multiplica é a que semeamos e não a que comemos. Quando semeamos com fartura, colhemos com abundância (II Coríntios 9:06). Quando semeamos coisas materiais, recebemos bênçãos espirituais na mesma medida que aqueles que semeiam as coisas espirituais, recolhem bens materiais (I Coríntios 9:11).

Como devemos contribuir para a obra missionária?

Em primeiro lugar, devemos contribuir com alegria (II Coríntios 9:07). A contribuição deve ser um momento de grande alegria. Dar com tristeza para a obra de Deus não tem sentido, pois antes de Deus aceitar a oferta, Ele precisa aceitar o ofertante. O Senhor Jesus diz que mais bem-aventurado é dar do que receber (Atos 20:35).

Em segundo lugar, devemos contribuir com proporcionalidade (I Coríntios 16:02). A proporção é o melhor sistema da contribuição. Não deve existir sobrecarga para aquele que tem pouco nem insensibilidade por aquele que tem em abundância. O apóstolo Paulo coloca esse princípio da seguinte maneira: “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem. Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância aqueles venha suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: o que muito colheu não teve demais; e o que colheu pouco não teve falta”.

Em terceiro lugar, devemos contribuir com regularidade (I Coríntios 16:02). A contribuição deve ser regular, metódica e sistemática. Assim como as necessidades dos missionários são constantes, as ofertas precisam também ser constantes. As ofertas missionárias não devem ser esporádicas e espasmódicas, pois as necessidades são diárias. Não podemos reter em nossas mãos os recursos que devem promover o avanço do reino de Deus e o sustento dos obreiros do reino. A obra missionária é uma tarefa de toda a igreja. Aqueles que vão não devem receber nem menos nem mais do que aqueles que ficam guardando a bagagem (I Samuel 30:24).

Em quarto lugar, devemos contribuir com sacrifício (II Coríntios 8:03 a 05). Não contribuímos apenas com as sobras, mas, sobretudo, com o que nos é essencial. Devemos dar não apenas da nossa riqueza, mas também da nossa pobreza, sabendo que Deus é quem multiplica a nossa sementeira para continuarmos investindo na sua obra (II Coríntios 9:10). Os crentes macedônios nos dão o exemplo: “Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também se deram a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus”.

Em quinto lugar, devemos contribuir com senso de adoração (Filipenses 4:18). A oferta missionária é como aroma suave e como sacrifício aceitável e aprazível a Deus. Na mesma medida que assistimos as necessidades dos santos, tributamos culto de adoração a Deus com nossas ofertas. A contribuição cristã não é apenas algo financeiro. Ela desencadeia reflexos no céu e na terra; ela toca o coração de Deus e o coração dos homens.


Fogo para Missões

"Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais."
Jeremias 29:11


Todas as terças participamos da chamada célula, ou reuniões domiciliares, mas neste dia 05 a Elaine, que é a responsável pela reunião, nos preparou algo diferente, a apresentação de um filme, a oportunidade de um tempo realmente muito agradável em comunhão com os irmãos.

O filme - A história real se baseia nas Escrituras!
O filme conta a história de Bethany Hamilton, jovem que surfista que se torna campeã no esporte, e de sua coragem em prosseguir após um ataque de tubarão que muda totalmente sua vida. Com apoio da família e dos amigos, em especial de Sarah, a líder de jovens da igreja local, Bethany começa aos poucos, a entender os planos de Deus para sua vida.

A fotografia é realmente de tirar o folego, como é de se esperar em um filme gravado no Hawaii, a trilha sonora então é incrível, contando inclusive com a linda canção "Blessed Be Your Name" de Matt Redman.

Segundo alguns sites americanos de cinema, os produtores do filme até pensaram em eliminar as referências à Bíblia para torná-lo mais atraente para a audiência mundial, mas não havia como, pois as muitas referências às Escrituras e as fontes bíblicas foram, na realidade, a base para o filme.

Os momentos que mais chamam a atenção no filme são justamente aqueles que envolvem esta base bíblica, um deles é quando Bethany decide voltar a treinar e pegar ondas, seu pai Tom Hamilton, lhe diz que "não será fácil", e Bethany então responde: "Não precisa ser fácil, só precisa ser possível!"

Reflexão - O processo de confiar é de fé em fé!
Quantos são os momentos nos quais simplesmente não entendemos as vontades de Deus? Há muitas mensagens sendo passa através deste filme, mas gostaria de comentar sobre a perspectiva, a mesma idéia apresentada por Sarah, a líder de jovens, no filme.

Somos humanos, consequentemente limitados em nossa percepção, principalmente em nossa capacidade de perceber ou entender os planos de Deus, damos valor demasiado para coisas e esquecemos que a vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita (Romanos 12:02) e, baseados em nossa própria inconstância, por vezes somos enganados a pensar que o amor de Deus também muda.

Pode parecer estranho dizer isso, mas realmente não é fácil para nós confiarmos no SENHOR, porém é interessante notar que nossa desconfiança não vem de alguma falha ou decepção que tenhamos sofrido com Deus, mas de nossas próprias experiências pessoais, humanas. Talvez seja por isso que Deus nos suporte com tanto amor, porque Ele mesmo entende e nos ensina, nos transforma no processo de crescer em Sua própria graça.

E quanto a nós, precisamos entender este processo, onde não recebemos apenas bençãos do SENHOR, onde somos também provados diariamente pela fé em Cristo, e uma vez aprovados, passamos a um novo nível de confiança, confiança que nos leva a novas experiências, experiências que deixam de ser assustadoras e passam a ser prazerosas pela confiança que adquirimos no SENHOR, e o glorificamos, como diz a canção de Matt Redman:

A cada bênção que Você derramar eu vou
Voltar para Te louvar
E quando a escuridão se aproximar, Senhor 
Ainda vou dizer
Bendito seja o nome do Senhor
Bendito seja o teu nome
Bendito seja o nome do Senhor
Bendito seja o teu glorioso nome

Assim podemos entender o porque Davi escreve "Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.", pois ele sabia que o segredo para que sua confiança pudesse crescer no SENHOR era dar um passo de cada vez, uma batalha de cada vez, sempre lembrando e bendizendo ao SENHOR por sua fidelidade e amor. (Salmos 103:02)

Uma idéia - Aproveite a oportunidade!
Soul Surfer é realmente uma lição de vida e de confiança na vontade de Deus, tanto que eu e minha esposa alugamos e assistimos o filme novamente neste sábado, e decidimos também publicar este artigo aqui no BlogFpM, afinal o tempo que passamos com os irmãos na terça foi ótimo.

Nós tivemos nossas impressões e reflexões, mas com certeza assistir ao filme trará a você suas próprias impressões e reflexões sobre a vontade e os planos de Deus conforme Jeremias 29:11, além do que, é um excelente momento para convidar todos os seus amigos para um tempo de comunhão, estoure algumas pipocas e bom filme. Faça isso.

"Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais."
Jeremias 29:11


Fogo para Missões

"Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, e bradai-lhe que já é findo o tempo de sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro da mão do SENHOR, por todos os seus pecados. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus."
Isaías 40:01 a 03


Pela graça e misericórdia do SENHOR nosso Deus, eu fiquei sem combustível e meus cartões não passaram ao tentar abastecer em um posto de gasolina de uma rodovia enquanto eu ia trabalhar. Era manhã de sexta, dia 11 de maio.

Enquanto esperava um amigo se deslocar para me ajudar eu resolvi ler as Escrituras, num tempo prazeroso e edificante o SENHOR me abençoou com estas palavras que, agora, compartilho com todos vocês. O texto é Isaías 40:01 a 03.

Qual o povo que, em pecado, merece ser consolado? Consolado em que? Quem deve consolar?

Aqueles que buscam ao SENHOR devem ser consolados, através de um gesto de amor, fruto do consolo que recebemos do SENHOR:

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo."
II Coríntios 1:03 a 05

Assim, há o consolo para o coração ferido, em meio as lutas, um conforto que deve vir da comunhão, da compaixão entre irmãos, mas também existe o consolo para a alma, mais profundo, que vem do alto, do Espírito, o Consolador (João 15:26), como está escrito:

"Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados."
Mateus 5:04

Quanto a nós, devemos assumir nossa parte neste processo de conforto, com diligência e amor.

Por que Isaías escreve "falai ao coração" e não à mente, ou aos ouvidos de Jerusalém? A resposta é bastante simples, porquê é do coração que procedem as saídas da vida, é com o coração que se crê para a justiça, como nos garante Provérbios 4:23 e Romanos 10:10. Sendo assim, nossas palavras devem ser regadas com amor, com o objetivo de animar, de encorajar, não como quem tenta persuadir ou como quem lhes fala apenas aos ouvidos, mas falando-lhes ao coração, com toda a paciência e longanimidade, no Espírito.

Isaías também diz "bradai", ou seja, gritai, falai alto, ou como está escrito em Mateus 27:50 e 51, "com grande voz". Mateus escreve que Jesus, após clamar dizendo "Eli, Eli, lemá sabactâni", clamou novamente, desta vez com grande voz, antes de entregar seu espírito.

Hoje, nós que fomos alcançados pela loucura da cruz, temos a responsabilidade de fazer ecoar entre as nações, e a todo tempo, a boa nova de que o brado de Jesus rompeu os céus, que o Filho de Deus pôs fim a toda milícia do pecado e da carne, abrindo caminho para o Pai através de seu próprio corpo, sendo Ele a justificação graciosa para todo aquele que crê Nele.

"E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou seu espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo: tremeu a terra, fenderam-se as rochas..."
Mateus 27:50 e 51

O profeta Isaías também declara que as iniquidades de Jerusalém já foram perdoadas, que "já recebeu em dobro da mão do SENHOR, por todos os seus pecados". Para um mundo condicionado a acusação e fadado a condenação, nós, que fomos chamados para proclamar as Boas Novas de Cristo, temos a honrosa oportunidade de anunciar que as iniquidades foram perdoadas superabundantemente pela graça de Deus, em Jesus.

"Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos. Sobreveio a lei para que abundasse o pecado. Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça."
Romanos 5:19 e 20 

Só mais uma coisa que o SENHOR me ensinou enquanto eu esperava naquele posto, sem dinheiro e sem combustível. Voz do que clama onde? No deserto! Portanto, entenda que é na prova, na luta, é no deserto que cumprimos nosso propósito. Está no deserto? Clame!

Console o Povo, proclame o Reino, clame no deserto.

Fogo para Missões

“Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”
Tiago 5:16



Todos os grandes ganhadores de almas foram pessoas de muita oração e de oração poderosa, e todos os grandes avivamentos foram precedidos e levados a cabo pela perseverança daqueles que prevaleciam em oração, de joelhos, sozinhos no quarto com Deus. Antes que Jesus começasse Seu ministério, quando grandes multidões O seguiam, Ele passou quarenta dias e noites a sós com Deus em oração e em jejum (Mateus 4:01 a 11).

Paulo orava sem cessar. Dia e noite suas orações, súplicas e intercessões subiam a Deus (Atos 16:25; Filipenses 1:03 a 11; Colossenses 1:03, 09 a 11).

O batismo pentecostal do Espírito e as três mil conversões em um dia foram precedidos por dez dias de oração, louvor, sondagem do coração diante de Deus e estudo das Escrituras. Depois disto continuaram orando, e num outro dia, cinco mil se converteram, e “muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (Atos 2:04 a 06; 4:04; 6:04 a 07).

Lutero costumava orar três horas por dia e com isso quebrou o feitiço de séculos e colocou as nações cativas em liberdade.

John Knox costumava passar noites em oração clamando a Deus dizendo: “Dá-me a Escócia senão eu morro!” – e Deus lhe deu a Escócia.

Baxter manchou as paredes do seu gabinete com o hálito da oração, e enviou uma maré de salvação por toda aquela terra.

Inúmeras vezes, o Sr. Wesley em seu diário, (que só perde para o livro de Atos dos Apóstolos em termos de leitura interessante e viva), nos fala de noites inteiras e metades de noites de oração, em que Deus se aproximava e abençoava pessoas além da expectativa; desta forma ele e seus cooperadores foram capacitados para resgatar a Inglaterra do paganismo e para enviar um avivamento de religião pura e agressiva através de toda a terra.

David Brainerd costumava deitar- se no chão gelado à noite, envolto em uma pele de urso, cuspindo sangue, e clamando a Deus para salvar os índios. Deus o ouviu, converteu e santificou aquelas pobres, ignorantes, briguentas e bêbadas criaturas pagãs aos milhares.

Na noite anterior ao maravilhoso sermão de Jonathan Edwards que deu início ao avivamento que sacudiu grandemente a Nova Inglaterra, ele e alguns outros passaram a noite em oração.

Um jovem chamado Livingstone, na Escócia, foi escolhido para pregar em uma das grandes assembléias. Sentindo sua própria fraqueza ele passou a noite em oração e no dia seguinte pregou um sermão onde quinhentas pessoas se converteram. Glória a Deus! Oh, Senhor, levanta pessoas de oração!

O Sr. Finney costumava orar até que comunidades inteiras fossem tocadas pelo Espírito de Deus e os homens não pudessem mais resistir à poderosa influência. Certa vez ele ficou tão abatido pelo seus trabalhos que seus amigos o enviaram ao Mar Mediterrâneo para descansar. Mas ele estava tão preocupado com a salvação dos homens que não conseguiu descansar e, na sua volta, entrou em agonia de alma orando pela evangelização do mundo. Por fim, a sinceridade e a agonia de sua alma se tornaram tão grandes que ele orava o dia todo, e só parava à noite quando recebia um segurança profunda de que Deus efetuaria a obra.

Ao chegar a Nova Iorque ele pregou suas “Palestras de Avivamento” que foram publicadas no seu país e no estrangeiro e resultaram em avivamentos por todo o mundo. Depois seus escritos foram parar nas mãos de Catherine Booth e a influenciaram poderosamente, tanto que O Exército de Salvação foi, em parte, uma resposta de Deus à oração agonizante, suplicante e vitoriosa daquele homem para que Deus glorificasse Seu próprio nome e salvasse o mundo.

Havia um jovem evangelista nos Estados Unidos que foi salvo, por Deus. Em todo lugar que ele ia um “avivamento furacão” tomava conta do lugar e centenas de pessoas se convertiam. Eu queria saber onde estava o segredo do seu poder até que uma senhora em cuja casa ele esteve disse que ele orava o tempo todo. Ela mal conseguia tirá-lo de suas lutas com Deus para fazê-lo comer.

Certo dia, antes de fazer parte do Exército de Salvação, eu estava conversando com o Dr. Cullis, de Boston, um homem com uma fé simples que operava maravilhas. Ele estava me mostrando fotografias e entre elas havia uma de Bramwell Booth, o líder do Exército.

Este homem dirige as mais poderosas reuniões de santidade em toda a Inglaterra” disse o médico.

Então ele me contou a respeito daquelas famosas reuniões de Whitechapel. Quando fui à Inglaterra, estava determinado, se possível, a descobrir o segredo destas reuniões.

“Tem um detalhe”, disse um oficial, “o Sr. Bramwell costumava dirigir reuniões de homens no escritório central naquela época e pedia a cada jovem salvo para passar cinco minutos a sós com Deus todos os dias, onde quer que estivessem, orando por aquelas reuniões de sexta à noite. Um deles, que agora é Brigadeiro, e que naquela época estava empregado em um armazém, tinha que se espremer dentro de um caixote de vime para ter uma chance de orar sozinho por cinco minutos”.

Deus não mudou. Ele está esperando fazer a vontade de homens que oram.

O Sr. Finney conta sobre uma igreja onde houve um avivamento ininterrupto por treze anos. Quando, enfim, o avivamento terminou, todos ficaram temerosos e se perguntavam por que, até que um dia um homem em lágrimas se levantou e contou como, durante treze anos, ele tinha orado todos os sábados à noite até depois da meia- noite para que Deus glorificasse a Si mesmo e salvasse as pessoas. Mas duas semanas antes, ele tinha parado de orar e então o avivamento parou. Se Deus responde a orações como esta, que tremenda responsabilidade está sobre todos nós que oramos!

Ah, se houvesse um santo soldado em cada grupo e um crente em cada igreja que passasse metade de cada noite de sábado em oração! Eis aqui um trabalho para pessoas de folga ou para pessoas que não podem fazer a obra cristã por causa de outros problemas. Você pode fazer este tão necessário trabalho de joelhos.
Mas não pense que este é um trabalho fácil. Ele é árduo e às vezes leva a agonia, mas se tornará uma agonia de alegria em união e comunhão com Jesus. Como Jesus orava!

Outro dia um capitão que ora uma hora ou mais todo dia de manhã e meia hora antes de sua reunião noturna e que tem muito sucesso em alcançar almas estava se lamentando para mim dizendo que ele freqüentemente tem que se obrigar a orar sozinho. Mas nisto ele é tentado e posto à prova como todos os seus irmãos. Todos os homens de muita oração sofrem o mesmo.

O Rev. William Bramwell, que costumava ver centenas de pessoas convertidas e santificadas em todo lugar que ia, orava seis horas por dia, e mesmo assim dizia que sempre ia orar sozinho com dificuldade. Ele tinha que se obrigar a fazer isto. E depois que começava a orar, freqüentemente, passava por períodos de seca espiritual mas perseverava pela fé e os céus se abriam e ele lutava com Deus até que a vitória viesse. Então, quando pregava, as nuvens se dissipavam e chuvas de bênçãos caíam sobre as pessoas.

Certo homem perguntou a outro por que o Sr. Bramwell era capaz de dizer coisas novas e tão maravilhosas que traziam bênçãos a tantas pessoas. “É porque ele vive tão perto do Trono que Deus lhe conta Seus segredos e depois ele os conta para nós” disse o outro.

0 Rev. John Smith, cuja vida inspirou tanto a William Booth como Bramwell, passava sempre muito tempo em oração. Ele sempre achava difícil começar mas depois era tão abençoado que achava difícil parar. Em todo lugar que ia poderosas ondas de avivamento também o acompanhavam.

Esta relutância em orar sozinho pode se originar de uma ou mais causas:
1. De espíritos ímpios. Eu imagino que o diabo não se importa muito em ver a tantas pessoas “frias” orando de joelhos em público, pois sabe que elas o fazem simplesmente porque é apropriado e está na moda. Mas ele odeia ver alguém de joelhos orando em secreto, pois este tipo de pessoa fala sério, e se perseverar na fé vai mover a Deus e aos Céus no interesse que ele representa. Por isso o diabo se opõe a este tipo de pessoa.

2. Da preguiça do corpo e da mente causada por doença, perda de sono, dormir demais, ou pela gula que, sem dúvida, exige demais dos órgãos digestivos, entope a corrente sangüínea e abafa todos os mais altos e nobres poderes da alma.

3. De uma falha em responder rapidamente quando nos sentimos guiados pelo Espírito para ir orar em secreto. Se, quando sentirmos que devemos orar, hesitarmos mais do que o necessário e continuarmos a ler ou conversar quando deveríamos estar simplesmente orando, o espírito de oração será reprimido.

Nós devemos cultivar a alegria de pensar em ficarmos a sós com Jesus em comunhão e oração secretas, assim como os casais de namorados esperam prazer e alegria em estar um com o outro.

Nós devemos responder prontamente ao chamado interior para oração. “Resisti ao diabo e ele fugirá de vós” e “esmurro o meu próprio corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”.

Jesus disse que os homens devem orar sempre e nunca esmorecer (Lucas 18:01) e Paulo disse: “Orai sem cessar” (I Tessalonicenses 5:17).

Um homem intrépido e de fé, que ora pode, às vezes, conseguir a vitória para uma cidade inteira ou nação. Elias venceu no Monte Carmelo. Moisés venceu pela Israel rebelde; Daniel venceu na Babilônia. Mas se um grupo de pessoas puder ser levado a orar desta maneira, a vitória será ainda mais abrangente. Que ninguém imagine com um coração perverso de incredulidade, que Deus está com o coração fechado ou sem vontade de responder à oração. Ele está mais desejoso de responder àqueles cujos corações estão em harmonia com Ele do que os pais estão em alimentar seus filhos.

Quando Abraão orou por Sodoma, Deus respondeu às suas perguntas até que Abraão parou de perguntar (Gênesis 18:22 e 33). Ele fica mais zangado conosco porque pedimos tão timidamente e por tão pequenas bênçãos, assim como o profeta Eliseu ficou zangado com o rei que atirou as flechas somente tres vezes quando deveria ter atirado cinco ou seis vezes! (II Reis 13:18 e 19).

Vamos nos achegar ousadamente ao Trono da graça e pedir abundantemente para que a nossa alegria seja completa! (Hebreus 4:16).


Fogo para Missões
“Vocês são Minhas testemunhas, declara o Senhor, e Meu servo, a quem escolhi”
Isaías 43:10


Nosso relacionamento diário com Cristo é a verdadeira base de tudo o que temos para compartilhar.

Atos 4:13 e 14 nos conta que Pedro e João foram levados perante o órgão eclesiástico mais poderoso de sua nação. Os dirigentes do Sinédrio – entre os quais estavam os sumos sacerdotes Anás e Caifás, escribas, anciãos e os membros da família do sumo sacerdote – perguntaram qual era o poder pelo qual esses dois homens pregavam e curavam.

Cheio do Espírito Santo, Pedro apresentou uma defesa eloquente. A Bíblia registra que os anciãos fizeram quatro coisas em resposta ao testemunho de Pedro. Em primeiro, ele perceberam a intrepidez de Pedro e João. Eles não poderiam ter percebido isso se Pedro e João não tivesses transmitido seu testemunho. Os dois discípulos não deixaram de falar. Dedicados de modo apaixonado e fiel ao evangelho, eles buscaram compartilhar sua mensagem libertadora, não importando as ameaças à sua vida. No dia anterior, eles haviam pregado destemidamente sobre a ressurreição, e o efeito sobre o povo havia sito tão poderoso que, apesar da prisão pública de Pedro e João na área do templo, “muitos dos que tinham ouvido a mensagem creram” (v. 04). Prender os dois homens parecia ser a solução perfeita para sufocar o interesse despertado pelo evangelho. Afinal, quem desejaria se unir a um grupo separado que trazia o risco de perda temporal, prisão e possivelmente a morte? Se os saduceus pensavam que prender os discípulos serviria para intimidar as pessoas, a estratégia produziu o efeito contrário, pois “o número dos homens que creram (chegou) perto de cinco mil” (v. 04).

Em segundo lugar, os líderes sabiam que Pedro e João não tinham sido educados nas escolas rabínicas e não tinham recebido treinamento formal na teologia do Antigo Testamento. Em vez disso, eles falaram pela unção do Espírito Santo (v. 08), salientando a importância daquele que conhecemos acima daquilo que sabemos. Isso não sugere que o conhecimento bíblico e o treinamento adequado não sejam essenciais, porque eles são. Mas, sem a influência do Espírito Santo para abençoar nosso treinamento e esforços, essas coisas, nas palavras do apóstolo Paulo, não significam “nada” (I Coríntios 13:02 e 03).

Em terceiro lugar, os dirigentes ficaram maravilhados. Como esses homens incultos, destreinados, falaram com tanta ousadia, autoridade, poder e influência? De onde surgiram essas qualidades?

A resposta, a Bíblia nos diz, foi clara e imediata na mente dos governantes. E isso nos leva ao quarto ponto da resposta dos líderes. Eles compreenderam, sem dúvida, que Pedro e João “haviam estado com Jesus” (Atos 4:13). A face de Moisés brilhava quando ele desceu a montanha carregando as tábuas da lei, testemunhando o fato de que ele havia estado em comunhão com o Senhor. Quando passamos tempo com Deus, Ele deixa sinais visíveis da Sua presença em nossa vida para que os outros percebam. “Vendo com eles o homem que foram curado, nada tinham que dizer em contrário” (v. 14). Por que isso silenciou os dirigentes? Não havia nenhuma forma pela qual Pedro pudesse ter forjado o milagre. O homem havia sido coxo “desde o ventre de sua mãe” (Atos 3:02). A coragem com que Pedro e João falaram, apesar de não terem recebido instrução na escola dos rabinos e a cura milagrosa do coxo, foram claras evidências do Espírito Santo em sua vida, apontando de modo incontestável para o fato de que esses dois homens haviam estado com Jesus.

Relembre João 1:37 a 39, uma das primeiras coisas que os primeiros discípulos de Jesus fizeram, como está descrito no primeiro capítulo de João, foi levar outros a Cristo. Esse foi um resultado direto do fato de que Jesus os atraiu a Si mesmo. Como o Senhor disse de Si mesmo a Moisés: “Aquele a quem escolher fará chegar a Si” (Números 16:05).

Observe o método de Jesus para fazer discípulos. Quando André e João O seguiram, Cristo Se voltou para eles e perguntou: “O que vocês querem?” (João 1:38). A partir dessa questão bastante simples, aprendemos o valor de buscar avidamente cativar o interesse daqueles que são atraídos para nossa esfera de influência. Observe também a natureza da questão em si. Ela foi direta, sem ser violenta nem arrogante; envolveu um convite, mas sem constrangimento. Implicou também que Jesus realmente estava interessado em ouvir a resposta deles e em conhecê-los pessoalmente.

Em seguida, Jesus os convidou a contemplar Sua vida. Uma vez que o interesses deles foi declarado, Jesus aproveitou a oportunidade, enquanto a chama da curiosidade estava acesa, para convidá-los a ver onde Ele morava. Esse foi um convite para ir e testemunhar em primeira mão Sua vida de abnegação e sacrifício. Jesus era um anfitrião agradável. Generosamente, Ele abriu Sua vida e Seu coração para eles. Isso nos mostra como o Senhor valoriza cada indivíduo e a importância do toque pessoal ao tentar alcançar outra pessoa. A partir desse contato pessoal, Jesus transformou a curiosidade ávida em um genuíno e sincero desejo de se unir ao Seu ministério.

Outra lição valiosa foi revelada ali. André e João se voltaram para Jesus porque estavam procurando o Cordeiro de Deus. Isso significa que eles já O estavam procurando, mas não tiveram a sabedoria para discernir quem era Jesus na multidão em torno de João Batista. Quando o Batista apontou Jesus para eles, sua curiosidade foi despertada o suficiente para que seguissem Jesus.

Há muitos que nos “seguem” em nossa vida diária. Seguem-nos com os olhos e os pensamentos, observando o que dizemos e fazemos e avaliando e julgando nossa vida. Assim como João Batista fez, o Espírito de Deus pode impressionar seu coração a contemplar o “Cordeiro de Deus” (v. 29) em nós. Eles podem se aproximar de nós, querendo saber mais sobre quem somos, sem perguntar diretamente. Como Jesus, podemos fazer uma pergunta que implique em interesse em suas necessidades. Podemos oferecer-lhes nossa hospitalidade. Perceba que Jesus não realizou nenhum milagre visível a fim de atrair André e João. Nenhum milagre ocorreu, exceto os simples milagres da cortesia, hospitalidade e bondade. Que esperança isso deve dar aos que, por não serem grandes evangelistas ou pregadores, pensam que ninguém se preocuparia em ouvi-los! Apenas um humilde convite foi estendido, um convite que nós também podemos apresentar: Venha, veja por si mesmo!.


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