"Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração."
Jeremias 29:12 e 13


Se o sustento financeiro tem permitido o avanço da obra missionária, não menos importante é sustentá-la também em oração. Sem a intercessão, o trabalho missionário seria meramente humano. O povo de Deus precisa interceder pelos perdidos, pelos vocacionados e pelos missionários.

1. Oração de intercessão pelos perdidos
1.1. Interceder pelos perdidos é uma questão teológica
Por que precisamos orar por missões? Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento apresentam os fundamentos da intercessão missionária.

1.1.1. Em reconhecer a degradação do gênero humano - Eis o ensinamento da Palavra de Deus: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram , tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer (...) pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:10, 11 e 23).

1.1.2. Em reconhecer que o destino daqueles que morrem sem Cristo é o tormento eterno - “Os ímpios irão para o inferno, sim todas as nações que se esquecem de Deus” (Salmos 9:17). “Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. E irão estes para o castigo eterno” (Mateus 25: 41 ao 46).

1.1.3. Em reconhecer que não há outro meio de salvação – “E em nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12). “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:06). “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé...” (Efésios 2:08).

1.1.4. Em reconhecer que a pregação do Evangelho é o método de Deus para que os homens sejam salvos – “A fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Romanos 10:17). Mas, “Como crerão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:15). “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Marcos 16:15 e 16).

1.2. Interceder pelos perdidos é um ato de compaixão e demonstração de amor
1.2.1. A intercessão de Abraão pela por Sodoma - “Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinqüenta justos na cidade (...), quarenta e cinco (...), quarenta (...), trinta, (...) dez justos na cidade, destruirás e não pouparás o lugar por causa dos justos que ali estão?” (Gênesis 18:23 ao 33).

1.2.2. A intercessão de Moisés pelo povo idólatra - “Oh! este povo cometeu um grande pecado, fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado; ou se não, risca-me do teu livro que tens escrito” (Êxodo 32:31 e 32).

1.2.3. A intercessão de Paulo pelo seu povo - “Digo a verdade em Cristo, não minto, dando testemunho comigo a minha consciência no Espírito Santo, que tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração. Porque eu mesmo desejaria ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne. Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel é para a sua salvação” (Romanos 9:01 ao 03; 10:01).

1.2.4. A intercessão de Jesus pelos seus perseguidores -“(...) E pelos transgressores intercedeu” (Isaías 53:12). “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). Jesus foi coerente com o seu ensinamento: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste” (Mateus 5:44, e 45).

1.3. Interceder pelos perdidos é um ministério
Deus tanto nos confiou o ministério da reconciliação (II Coríntios 5:18 ao 20) como o ministério da intercessão (I Timóteo 2:01 ao 08). Estes dois ministérios estão interligados entre si e se completam para a execução da obra missionária.

1.3.1. O ministério da reconciliação foi confiado aos reconciliados – “Tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação” (II Coríntios 5:18).

1.3.2. O ministério da reconciliação consiste na obra de Deus em Cristo pelo mundo – “A saber, que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo , não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (II Coríntios 5:19). “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (II Coríntios 5:21). “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos (...)” (I Timóteo 2:05 e 06).

1.3.3. Os que promovem o ministério da reconciliação são chamados de “embaixadores – “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (II Coríntios 5:20) . “Para isto fui designado pregador e apóstolo (afirmo a verdade, não minto), mestre dos gentios na fé e na verdade” (I Timóteo 2:07).

1.3.4. Os que exercem o ministério da reconciliação são cooperadores com Deus - “E nós, na qualidade de cooperadores de Deus, também vos exortamos que não recebais em vão a graça de Deus” (II Coríntios 6:01).

1.3.5. O ministério da intercessão deve ser ministrado em favor de todos os homens - “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens” (I Timóteo 2:01).

1.3.6. O ministério da intercessão alegra o coração de Deus – “Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (I Timóteo 2:03 e 04).

1.3.7. O ministério da reconciliação e o ministério da intercessão devem ser levados a sério - “Não dando nós nenhum motivo de escândalo em coisa alguma, para que o ministério não seja censurado” (II Coríntios 6:03). “Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem contenda” (I Timóteo 2:08).

1.3.8. O ministério de intercessão é voltado aos perdidos de duas formas:
1.3.8.1. Pelos perdidos que já estão sendo alcançados – São povos que gozam do privilégio de ter o testemunho cristão através do ministério das igrejas locais e das agências missionárias. Estes são os principais motivos de oração por eles: Por um despertamento espiritual e missionário das igrejas, para que elas sejam realmente sal da terra e luz do mundo. Que Deus faça cessar as ondas de escândalos que mancham a imagem do Evangelho. Por um espírito de santidade, unidade e sacrifício na vida dos crentes e dos pregadores das Boas-novas. Que Deus quebrante os corações endurecidos, que continuam resistindo à mensagem de salvação. Por aqueles que “fecham o reino dos céus diante dos homens; pois, não entram, nem deixam entrar os que estão entrando” (Mateus 23:13). Para que haja uma unidade de propósitos do povo de Deus, como diz o apóstolo Paulo: “Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo, e pelo amor do Espírito Santo, que luteis juntamente comigo nas vossas orações por mim a Deus, para que eu seja livre dos rebeldes da Judéia” (Romanos 15:30 e 31). “(...) a nós nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens, e nos impedem de falar aos gentios para que sejam salvos (...)” (I Tessalonicenses 2:14 ao 16).

1.3.8.2. Pelos perdidos que ainda não foram alcançados – Estes são os principais motivos de oração: Pela abertura de portas ainda fechadas para a pregação do Evangelho – que todo o cinturão de resistência seja quebrado pelo poder de Deus, em nome do Senhor Jesus. Para que estes povos possam buscar a Deus, como está escrito: “Para que o restante dos homens busque ao Senhor, sim, todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado” (Atos 15:17). Para que Deus desperte vocacionados para trabalhar com esses povos, pois a seara é grande com tão poucos trabalhadores. Pelos missionários que estarão ministrando a estes povos, a fim de que tenham muita sabedoria, poder do espírito, amor sacrificial e perseverança. Pelos novos decididos e as igrejas plantadas entre os não-alcançados, para que tenham a paz e a proteção do Senhor (Atos 9:31). O apóstolo Paulo, entendendo que o Evangelho deveria ser pregado no mundo todo, tinha como prioridade, em seu ministério, alcançar os povos não evangelizados: “(...) De modo que desde Jerusalém e arredores, até a Ilíria, tenho divulgado o evangelho de Cristo; deste modo esforçando-me por anunciar o evangelho não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio, antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão; e os que não ouviram, o entenderão” (Romanos 15:19 ao 21). Cada igreja deveria adotar em oração um dos povos não-alcançados. Deus, certamente, através deste ministério da intercessão, haverá de preparar o coração daquele povo para ouvir o Evangelho; abrirá portas fechadas e levantará missionários para lhes levar a palavra de Deus.

1.4. A oração do justo pode muito em seus efeitos (Tiago 5:16)
Esta história aconteceu em Belarus (também conhecida como Bielo-Rússia) e fala sobre o ministério da intercessão. Lá pela década de 1930, um servo de Deus que estava morando em outro país e foi visitar a sua terra natal – Belarus. Ele gostaria muito de evangelizar o seu povo, mas como não estava com muito tempo , contratou um carroceiro para percorrer uma certa região e interceder a favor de cada aldeia. Dirigia-se à parte mais alta, onde pudesse ver a aldeia e, com as mãos estendidas, orava pelo respectivo lugarejo. O irmão carroceiro não estava crendo que aquele método iria dar resultado. Depois de ter passado e orado por várias localidades, o intercessor perguntou a ele se ainda havia outra aldeia da região por onde ainda não tinham passado. O nosso irmão carroceiro, por não crer naquela obra e pelo fato de todos estarem exaustos (inclusive seu cavalo), disse que não faltava mais nenhuma, porém mentiu, pois ainda tinha uma aldeia não alcançada através do seu ministério de intercessão. Eles então deram a tarefa por encerrada. Qual foi o resultado? Depois de algum tempo o Evangelho de Jesus começou a florescer em cada uma daquelas aldeias que tinham sido alvo das orações daquele servo de Deus; pessoas começaram a se converter e igrejas foram implantadas. Somente numa cidade isto não aconteceu: naquela que foi negligenciada pelo carroceiro. O ministério de oração é uma obra de fé, “pois sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:06). Certa vez, os muçulmanos comentaram que foram as orações dos crentes que derrubaram o regime comunista na União Soviética. Eles tem razão: “As armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; derribando raciocínios e todo o baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo” (II Coríntios 10:04 e 05). São muitas as fortalezas a serem demolidas, inclusive a dos muçulmanos, e isto, segundo eles mesmos reconhecem, será feito através do ministério da intercessão.

2. Ministério de intercessão por vocacionados
Estamos com crise de vocacionados para missões, ou não? Para responder com exatidão a esta pergunta teríamos que fazer uma pesquisa nas igrejas, nos seminários e nas juntas missionárias. Provavelmente ficaríamos contentes com os números, mas decepcionados depois do processo de seleção, pois “muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mateus 20:16). Se considerarmos ainda as famílias que acabam retornando dos campos por vários motivos - como a falta de adaptação, a insuficiência de sustento, dificuldades burocráticas para permanência no país, enfermidades, problemas pessoais etc. os que permanecem, no final das contas, é verdadeiramente um pequeno número. E esses poucos missionários acabam ficando sobrecarregados. Este é o caso, por exemplo, dos missionários das igrejas da CBB que estão no Leste Europeu. Somos somente três famílias para supervisionar o trabalho de cerca de 150 obreiros da terra espalhados por vários países. Quando alguém nos pergunta sobre a nossa maior necessidade, respondemos que é a falta de obreiros. “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando toda as doenças e enfermidades entre o povo. Vendo ele as multidões, tinha grande compaixão delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:35 e 36). O perfil das multidões dos dias de hoje tem sido diferente daquele apontado por Jesus? O sentimento dele foi de compaixão, e o nosso, qual é? O Senhor disse que “na verdade a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mateus 9:37). Porventura este verbo “ser” mudou de tempo? A seara deixou de ser grande e os trabalhadores agora são muitos? Temos atendido a este pedido de oração de Jesus? “Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mateus 9:38). Existe uma outra maneira mais eficiente de despertar vocações missionárias do que através do ministério da intercessão?

2.1. A igreja precisa consagrar os seus membros para a obra missionária
Foi em uma atmosfera de muita espiritualidade que Paulo e Barnabé foram enviados como missionários: “Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuaram, disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra que os tenho chamado. Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, os despediram” (Atos 13:02 e 03). São igrejas que contribuem financeiramente e oram por missões, mas só que delas não estão saindo obreiros. Cada igreja precisa ser um celeiro de missionários. Uma pequena igreja do interior dos EUA começou a orar para que Deus levantasse do seu meio alguém para evangelizar o mundo, e este pedido de oração foi atendido quando Deus chamou um dos seus membros para levar a Palavra de Deus até os confins da terra. Seu nome? Billy Graham, reconhecido como o maior evangelista da era moderna. Assim como Isaías entendeu que a chamada do Senhor era para ele, e respondeu com prontidão “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:08), a sua igreja deve personalizar o pedido de Jesus, orando assim: “Rogamos que tu, Senhor da seara, envie trabalhadores da nossa igreja para a tua seara. Eis-nos aqui, envia-nos a nós”.

2.2. Os pais precisam consagrar seus filhos para missões
Seguindo o exemplo de Ana: “(...) Eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, orando ao Senhor. Por este menino orava eu, e o Senhor atendeu a petição que eu lhe fiz. Por isso eu também o entreguei ao Senhor por todos os dias que viver, ao Senhor está entregue” (I Samuel 1:26 ao 28). Grigory é um dos nossos missionários da terra em Belarus (Bielo-Rússia). Ele é filho de pastor e quem ajudou a criá-lo foi uma cigana que era crente e o membro mais fervoroso da igreja. Na hora da sua morte ergueu as suas mãos para os céus, intercedeu pelos ciganos e pediu para que Deus usasse o Grigory (então com 12 anos de idade) para levar o Evangelho ao seu povo. Depois, deu um suspiro e morreu. O menino foi crescendo e esquecendo daquela oração. Depois de alguns anos recebeu a chamado do Senhor para ser um missionário, só que estava ministrando a Palavra do Senhor somente aos russos. Numa certa campanha evangelística, uma jovem senhora cigana, chamada Tamara, converteu-se. Quando Grigory começou a dar-lhe assistência espiritual, descobriu que ela era parente daquela irmã que há 20 anos tinha feita aquela oração. Tamara tem uns 500 parentes espalhados por aquela região, e quando ele começou a visitá-los e ficaram sabendo que ele fora criado por aquela irmã cigana, disseram-lhe o seguinte: “Se você foi criado por uma cigana, e que foi a nossa parente, mesmo sendo branco, você é um dos nossos”. Com isto sentiu a confirmação da sua chamada para evangelizar os ciganos e muitos têm se convertido através do seu ministério.

Se hoje estou vivo e sou um missionário, foi porque a minha mãe me entregou ao Senhor. Com três meses de vida estava internado em um hospital em Minas Gerais; o meu estado se agravou ao ponto do médico me desenganar e aconselhar a minha mãe que deveria ir para casa e preparar o caixão. Ela, porém, passou a noite toda em oração, e ajoelhada perante o Senhor, dizia: “Se for para ele se recuperar e ao crescer se desviar dos teus caminhos, vivendo uma vida dissoluta, é melhor que morra agora, pois ficarei conformada. Mas, se for para te servir e ser uma bênção em tuas mãos, então eu o consagro a ti, seja feita a tua vontade”. Para que jamais eu viesse a esquecer que existo para servi-lo, Deus permitiu que passasse por uma segunda experiência semelhante, desta vez, já com a idade de 14 para 15 anos, quando fui acometido por uma grave pneumonia. Internado em um hospital de Goiânia, fui considerado em estado terminal pelos médicos. Entretanto, pelas orações da minha família e de toda a Primeira Igreja Batista de Goiânia, Deus restaurou a minha saúde e confirmou a minha chamada para o ministério da palavra. Com base na Bíblia e na minha própria experiência, incentivo a você, pai, e a você, mãe, que intercedam pelos seus filhos, entregando-os ao Senhor para servi-lo.

3. O ministério de intercessão pelos missionários
3.1. Você pode lutar com os missionários através das suas orações
Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que luteis juntamente comigo nas vossas orações por mim a Deus”. (Romanos 15:30)

3.2. Você pode ajudar os missionários com as suas orações
Ajudando-nos também vós com orações por nós, para que, pela mercê que por muitas pessoas nos foi feita, por muitos também sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos”. (II Coríntios 1:11)

3.3. Alguns motivos de oração pelos missionários
• Por abertura de portas à pregação do Evangelho
Suplicai ao mesmo tempo, também por nós, para que o Deus nos abra porta à palavra (...)” (Colossenses 4:03)

• Para que haja sabedoria e ousadia na proclamação do Evangelho
Para que me seja dada a palavra, no abrir da minha boca, para com intrepidez, fazer conhecido o ministério do evangelho (...) para que nele eu tenha coragem para falar como devo falar.” (Efésios 6:19 e 20).

• Por livramento
Rogo-vos, irmãos , por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas vossas orações por mim a Deus, para que eu seja livre dos rebeldes que estão na Judéia” (Romanos 15:30 e 31). “Porque uma porta grande e eficaz se me abriu; e há muitos adversários” (I Coríntios 16:09). “Para que sejamos livres de homens perversos e maus; porque a fé não é de todos” (II Tessalonicenses 3:02).

• Por consolo nas provações
E a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação... ajudando-nos também vós com orações por nós.” (II Coríntios 1:07 e 11).

• Pelos projetos missionários
Pelo que também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco; mas agora, não tenho mais o que me detenha nestas regiões, e tenho já há muitos anos grande desejo de visitar-vos, eu o farei quando for a Espanha; pois espero ver-vos de passagem e por vós ser encaminhado para lá, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia. Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos (...) tendo, pois, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto de lá, passando por vós irei a Espanha e bem sei que, quando for visitar-vos, chegarei na plenitude da benção de Cristo. Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito Santo, que luteis juntamente comigo nas vossas orações por mim a Deus” (Romanos 15:22 ao 25, 28 ao 30).

Veja quão desafiadores eram os projetos que Deus tinha colocado no coração de Paulo! E ele pede, com encarecimento, que os irmãos o apoiem em oração. Do mesmo modo cada igreja precisa adotar em oração os projetos dos seus missionários. Pela prosperidade da obra. Ore para que o missionário seja bem-sucedido em tudo que fizer, segundo a promessa do Senhor registrada em Salmos 1:03.

A maioria dos missionários trabalha em terrenos áridos; eles gostariam muito que a obra em seu campo estivesse se propagando assim com acontece na sua igreja aqui do Brasil. Isto é possível através do ministério da oração. “Irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também o é entre vós” (II Tessalonicenses 3:01). Pela família do missionário. Quantas famílias de missionários têm voltado dos campos por causa de problemas familiares. Se a família não estiver bem, o ministério também não estará. Por isso, a Palavra de Deus recomenda que o obreiro “governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” (I Timóteo 3:04 e 05). Ouvi de um pastor amigo o seguinte testemunho. Para ser coerente com a Palavra de Deus, no início do seu ministério fez ele um voto a Deus, que se um dos seus filhos se afastasse do evangelho, ele abandonaria o ministério. Hoje, os seus filhos já crescidos, causam grande alegria ao seu coração, pois permanecem firmes no caminho do Senhor e muito ativos na vida da igreja. Deus é fiel!

3.4. Motivos de oração pelas famílias dos missionários
3.4.1. Harmonia – Sem sombra de dúvida, a causa de Cristo em muito sofrerá se houver desarmonia nos três níveis familiares: entre os cônjuges, entre os pais e filhos e entre os irmãos. O ministério será muito mais difícil se não houver aquela união de que fala o apóstolo Paulo: “Para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa” (Filipenses 2:01 ao 05). Sabendo que Satanás procura desajustar a família dos pastores e missionários para destruir a obra de Deus, intensifiquem as suas orações por eles.

3.4.2. Adaptação ao campo – Se não acontecer uma boa adaptação, talvez a família missionária não conseguirá resistir às pressões e dificuldades do campo e acabará voltando. Que os missionários amem o povo a quem estão servindo e possam declarar como Rute: “O teu povo será o meu povo” (Rute 1:16). E Boaz a elogiou dizendo: “Bem me contou tudo quanto tens feito para com a tua sogra depois da morte do teu marido; como deixaste a teu pai e a tua mãe e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que dantes não conhecias. O Senhor recompense o que fizeste, e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor de Israel, sob cujas asas vieste abrigar” (Rute 2:11). Que estas palavras sejam aplicadas a cada família dos missionários que deixam o seu povo e a sua pátria para servir a Deus em uma terra estranha. Ao orarmos por esta adaptação no campo, precisamos também pedir ao Senhor que os ajude na abertura e renovação dos seus vistos de permanência no respectivo país, que na maioria das vezes é uma situação muito complicada.

3.4.3. Necessidades materiais – A maioria das pessoas passa por dificuldades materiais. Os missionários não são diferentes. Sendo que eles estão distante das suas igrejas e dos seus familiares. Temos que interceder para que vivam dignamente dentro do seu orçamento. Temos que pedir a Deus que afaste toda a ansiedade dos seus corações e supra todas as suas necessidades. É preciso orar para que as igrejas, em parceria com as juntas missionárias, sustentem condignamente seus pastores e missionários: “Devem ser considerados de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o grão. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário”(I Timóteio 5:17 e 18).

3.4.4. Saúde – Se nós, na Romênia, onde temos bons médicos, oramos a Deus para não ficarmos doentes, por causa dos altos custos de tratamento, que poderíamos dizer daqueles missionários que trabalham em países onde o sistema de saúde não oferece as mínimas condições? Muitos dos nossos obreiros estão expostos à radioatividade, a malária, a epidemias diversas e a tanta pestilência. Sabendo que os nossos missionários estão no campo de batalha, e sendo alvos de tantas enfermidades, que podem impor sérias restrições à obra, cabe a você sustentá-los com as suas orações, pois “a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará” (Tiago 5:15).

3.4.5. Educação escolar dos filhos – Este foi um problema que tivemos que enfrentar quando chegamos ao campo. Pelo fato de o Governo romeno não oferecer estudo gratuito para estrangeiros, tivemos que matricular nossos filhos numa escola particular fundada por missionários que estavam na mesma situação. Isto, evidentemente, implicou em encargos financeiros para a família.

Outro problema que surge é quando os filhos terminam o segundo grau e precisam deixar a casa dos pais para estudarem fora. Em 2004 era a vez do autor deste texto chorar pela partida da nossa filha Claryssa. Ela viria a fazer muita falta, e o que mais preocupava seus pais era o futuro de sua filha. Eles oravam para que Deus lhe abrisse todas as portas de uma universidade e suprisse todas as suas necessidades.

São muitos os missionários que se encontram em situações semelhantes com relação aos filhos. Ajude-os em oração!

Conclusão
O Senhor deseja que cada igreja desenvolva o seu ministério de intercessão pela obra missionária, pois “é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador” (I Timóteo 2:03).

Que você participe deste ministério Samuel disse: “Longe de mim esteja o pecar contra o Senhor, deixando de orar por vós” (I Samuel 12:23). Está escrito no livro do profeta Isaías que o Senhor “maravilhou-se de que não houvesse intercessor” (Isaías 59:16). Será que Ele ainda continuará admirado em nossos dias pela falta de intercessores?

Que o divino intercessor possa despertar o seu povo para o ministério da intercessão. “Jesus tem o seu sacerdócio imutável. Por isso também pode salvar totalmente os que por ele chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25).

Baseado no texto original de Gerson Tomaz Pereira.

Observação: Não encontremos nenhuma informação sobre o Missionário Gerson Tomaz Pereira em redes sociais, não sabemos em qual nação ele estava servindo ao Senhor, nenhuma informação, mas oramos para que tanto ele quanto sua família, sua filha Claryssa estejam bem, no Senhor.

Fogo para Missões
"Vinde, cantemos ao SENHOR; jubilemos à rocha da nossa salvação."
Salmos 95:01


A mensagem da esperança através do nascimento de Jesus será contada em música em Portugal neste Natal. No sul do país, onde nossos missionários Henrique e Juliana de Araujo, que também possuem formação musical, estão sendo voz de Deus, já começaram os ensaios na igreja na cidade de Portimão e também no Faro.

Além disso, a atuação de Henrique no cenário musical português está abrindo portas para que o Evangelho seja anu

nciado em vários locais de concertos na região. A cantata de Natal será inclusive no Teatro Municipal de Portimão.

O ano letivo no Conservatório de Portimão e na Academia de Música de Lagos iniciou suas atividades há pouco tempo, e para comemorar o Dia Mundial da Música, Henrique foi convidado para reger o concerto, que aconteceu no Teatro Municipal de Portimão, onde graças a Deus faremos nossas apresentações de Natal”, conta a missionária Juliana de Araujo.

Nessa apresentação, Henrique preparou um arranjo de um fado bem conhecido em Portugal, “Canção do Mar”, que acabou sendo escolhida para fechar o concerto naquela noite.

O maestro João Cunha, que tem sido o homem de paz que Deus preparou para nós aqui no Algarve, pediu ao Henrique que desse algumas palavras no final e que convidasse o público para o Natal”, relata Juliana. “Foi uma excelente oportunidade para convidarmos mais de 200 pessoas para ouvirem sobre o amor do nosso Deus”, conta.

Após o concerto, uma jovem cantora de fado se interessou em participar do musical de Natal em Portimão. O casal missionário também convidou uma vizinha e a esposa do maestro João Cunha, que já cantou em coro há algum tempo.

Temos orado e pedimos a você que se junte a nós em oração por essas vidas, para que, ao participarem, sejam tocadas com a mensagem que o real significado do Natal cristão, cuja estrela é o nosso Salvador”, pede o missionário Henrique.

Quanto ao ensino da Palavra, o casal deu início a um discipulado individualizado com jovens.

Além de fortalecer a fé, o objetivo é prepará-los para que estejam prontos para dar razão da sua esperança no contexto em que estão inseridos, onde encontram hostilidade e preconceito, bem como para que possam se tornar futuros discipuladores e evangelistas”, afirma Henrique.

Os missionários finalizam pedindo oração pela ida de ministros de música e músicos brasileiros cristãos a Portugal em janeiro de 2016.

É o projeto Músicos em Missões. Esse grupo terá um papel importantíssimo em nossas duas grandes áreas de atuação aqui em Portugal: capacitação das igrejas e testemunho público na sociedade através da música. Pela graça de Deus será realizado o primeiro encontro de músicos batistas de Portugal com a presença dos brasileiros, além de ser realizado aqui em Portimão um concerto em parceria com a orquestra do conservatório”, conclui Henrique.

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Fogo para Missões
"E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos."
Tiago 5.15 e 16


Na Bíblia, o apóstolo Tiago nos ensina no versículo acima esta verdade espiritual, e nós, praticamos e cremos no poder da oração.

Muitos cristãos que vivem sob perseguição relatam ao Ministério Portas Abertas que as orações têm sido o sustento que os faz permanecer firmes mesmo em meio a tão forte tribulação, pois Deus os têm consolado, socorrido, abençoado, protegido e confortado em diversos momentos críticos. São relatos marcantes da fidelidade do Senhor em estar com seus filhos durante todo o tempo.

Assista ao vídeo de um dos testemunhos mais marcantes da Portas Abertas sobre o poder da oração:


VAMOS ORAR

Pensando em incentivar a Igreja Livre, ou seja, a comunidade de cristãos que tem liberdade de culto, a orar por nossos irmãos perseguidos, a Portas Abertas Brasil edita mensalmente o boletim “Vamos Orar”, encartado junto com a revista mensal e também disponível no site (clique aqui para ver os pedidos do mês corrente).

Paulo nos lembra em Efésios 6 que “a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (v.8), e “tendo isso em mente”, a Portas Abertasestá atenta e perseverando na oração por todos os santos” (v.12).

Entendemos que os cristãos que vivem sob perseguição enfrentam forte oposição espiritual e necessitam que a Igreja os cubra com suas orações. Essa é a maior contribuição que você, como cristão, pode oferecer!

FOGO PARA MISSÕES

Estaremos em 2016 retomando o projeto #TempodeOração, com o qual desejamos fazer parte de um clamor por avivamento missionário no Brasil e no mundo. Juntamente com este projeto, voltamos as publicações aqui no BlogFpM, alinhados ainda mais com nosso objetivo que é o de despertar e incentivar a todos que entrar em contato conosco a se envolver com a obra missionária.

O Senhor nosso Deus tem um plano, e se chama SALVAÇÃO.

"Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem."
I Timóteo 2:01 ao 05

Texto original: Portas Abertas

Fogo para Missões
"E, quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho  bom e direito"
I Samuel 12:23


Note que Samuel considera como sendo pecado o não orar por aqueles que pedem oração. Orar por alguém, neste caso pelos irmãos nigerianos e por todo o povo da Nigéria, é mais do que pedir para de Deus tenha misericórdia, é sofrer como se estivesse sendo perseguido com a pessoa por quem você está orando.

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Em um ataque realizado no estado de Yobe, no norte da Nigéria, cerca de 15 pessoas foram assassinadas, sendo, pelo menos, 130 delas cristãs, segundo fontes da própria igreja

Centenas de pessoas ainda estão desaparecidas e a destruição durante o ataque incluiu cerca de 10 edifícios de igrejas da região.

Mais de 200 pessoas do grupo extremista islâmico Boko Haram que atacaram a capital do Estado de Yobe, em Damaturu, às 5 horas da tarde do dia 4 de novembro e logo, os terroristas haviam bloqueado todas as quatro principais rodovias que levam à cidade.

Os líderes cristãos em Damaturu disseram ao Compass que das 150 vítimas registradas no ataques, mais de 130 eram cristãos. Quando os extremistas muçulmanos chegaram a cidade, qualquer  cristão que não conseguisse recitar o credo islâmico era baleado imediatamente e morto instantaneamente.

Quando os extremistas no atacaram aqui no dia 4 de novembro, foi como o fim de tudo para os cristãos. Nossas casas foram alvejadas indiscriminadamente. Eu e minha família nos trancamos em casa”, disse Rev. Idris Garba, presidente da Associação Cristã da Nigéria (CAN) no estado de Yobe.

Garba, que também é um dos pastores da Igreja Boa Nova na região de Damaturu, disse que sua igreja diminuiu cerca de 500 membros depois dos ataques: “Nós podíamos ter mais do que 100 membros na igreja após o ataque. A maioria dos membros está se escondendo com medo ou deixaram a cidade".

Garba que tem o ministério pastoral desde 1993 e tem servido como pastor da igreja há dois anos disse que os cristãos foram mortos na frente do templo de sua igreja no dia antes de ela ser bombardeada.

Fonte: Portas Abertas 

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Pense um pouco, como estaria o seu coração se você estivesse vivendo estas coisas diante de seus olhos, a perda, o medo, a dor, a fé. Pensou? Então agora você tem muito o que conversar com o Senhor sobre os amados irmãos nigerianos!

Fogo para Missões
"Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia."
Habacuque 3:02



Gostaríamos de lhe fazer um importante convite, queremos convidá-los para um #TempodeOração por missões!

#TempodeOração é o projeto que tem por objetivo mobilizar o máximo de irmãos em clamor incessante por missões. Este projeto começou em 2011 de forma simples, em nossa casa e em pouco tempo chegou na internet através da tag #TempodeOração através do twitter (@FogoparaMissoes). Desde então muitos irmãos entraram neste tempo de clamor, inclusive compartilhando em suas igrejas, tornando este clamor ainda maior.

Em 2016 desejamos continuar este projeto, e aumentar o número de cristãos envolvidos de forma consciente neste clamor. Você poderá juntar-se a nós através do Calendário de Oração, um roteiro de oração que vamos publicar nos próximos dias, aqui no #BlogFpM, onde você poderá também baixar o calendário em arquivo PDF para impressão caso queira divulgar com sua igreja local.

"Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos."
Isaías 57:15

Cremos que o Senhor deseja ser buscado, que Ele deseja estar com aqueles que o buscam. 

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O projeto #TempodeOração não se propõe a ser uma "barganha" com Deus, mas a mobilização de cristãos para buscar a face do Senhor nosso Deus e se deleitar Nele.
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"Se eu fechar os céus, e não houver chuva; ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra; ou se enviar a peste entre o meu povo; E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração deste lugar."
II Crônicas 7:13 ao 15

Edinelson F. Lopes

O Ministério Fogo para Missões existe para servir igrejas locais na realização de missões, através da intercessão, ministrações como "Evangelismo Pessoal", "O que é o Evangelho" e participação em eventos como impactos evangelísticos. Somos pessoas comuns que desejam servir, pois este é o significado da palavra ministério, serviço. 

Fogo para Missões
“Bem sei que tudo podes, e que nenhum de teus planos pode ser frustrado.”
Jó 42.02


A Peregrinação cristã: sofrimento e vida de John Bunyan
A década de 1660 foi de muito tumulto e agitação na Inglaterra. Cromwell, o protetor da Inglaterra e do parlamento, morrera três anos antes. Carlos II, filho do rei decapitado, volta do exílio em 1649 e ascende ao trono. A Igreja da Inglaterra ganha mais uma vez o status de Igreja do Estado e põe fim à liberdade de culto que se viu entre os anos de 1640 a 1660. No ano seguinte, 1662, através do chamado ato de conformidade, mais de 2000 ministros puritanos não conformistas foram ejetados de seus púlpitos, suas igrejas foram fechadas e eles foram proibidos de pregar e até mesmo de residir a  menos de 8 km de qualquer vila ou povoado. O novo Parlamento, conhecido coloquialmente como o “Parlamento bêbado”, pelo tipo de homens que o compunha, removeu todo princípio de reforma do ambiente religioso da Inglaterra. Um dos mártires daqueles dias, o Conde de Aryl, do alto de seu cadafalso, diante do seu carrasco, disse o seguinte:

“Estes tempos em que vivemos são ou de muito pecado ou de muito sofrimento. Que os cristãos façam pois sua escolha – PECAR OU SOFRER, e, certamente, aquele que escolher a boa parte, haverá de escolher SOFRER.”

 John Bunyan escolheu sofrer!
Bunyan foi um daqueles heróis da fé que experimentou no corpo e na alma a agudez do sofrimento em suas manifestações mais amplas: desde lutas intensas com sua própria consciência e convicção de pecados, que resultou num longo e doloroso processo de apropriação da fé, até os sofrimentos da miséria, privação, doença e perseguições por causa de sua fé.

O Peregrino, reputado como o livro mais publicado e lido em toda a história depois da Bíblia, é uma fascinante alegoria que conta a história de Cristão rumo à Cidade Celestial. Seu caminho é realizado em etapas, e, em todas elas, Cristão experimenta vários tipos de sofrimento e lutas intensas, passando pelo “pântano do desânimo”, pelo “monte da dificuldade”, pelo “vale da humilhação”, pelo “vale da sombra da morte”, pelo martírio de Fiel, pelo “castelo da dúvida” até chegar ao rio que não tem ponte.

Seu autor, John Bunyan, nasceu na Inglaterra da era puritana em 1628, numa cidadezinha rural chamada Bedford. Teve uma infância pobre, recebeu uma educação precária e se tornou funileiro (latoeiros) por profissão, seguindo a profissão de seu pai. Com apenas 14 anos perdeu, no espaço de um mês, sua irmã caçula e sua mãe. Aos 16, juntou-se ao exército parlamentar onde permaneceu por alguns anos.

O início de seu processo de entendimento da fé cristã se deu através da leitura dos dois únicos livros que tinha em casa; herança recebida pela primeira esposa. Os livros eram “O Caminho do homem ao Céu” de Arthur Dent e “A Prática da Piedade” de Lewis Bayly. A leitura desses livros causou forte impressão em John Bunyan e levou-o a refletir com mais seriedade a sua situação diante de Deus. Bunyan converteu-se debaixo do ministério do pastor batista John Gifford, e conta-nos como foi sua conversão, em meados dos anos 1650.

Apropriar-se das bênçãos da salvação não foi uma tarefa fácil para Bunyan. Em sua autobiografia, “Graça abundante ao principal dos pecadores”, ele dedica mais de dois terços da obra para descrever os altos e baixos de suas lutas internas. Num certo ponto, ele reconhece que suas provações e sofrimentos vinham “do Senhor, de Satanás e de minha própria corrupção”. E suas lutas contra sua consciência acusadora e as tentações e provas de Satanás faziam com que, muitas vezes, ele desejasse ser como um “cachorro, ou um cavalo, por não possuírem uma alma sujeita ao inferno”. Ele sentia grande tristeza por ter sido criado por Deus, crendo que seria condenado por causa de seus pensamentos pecaminosos, pois não cria ser possível alcançar a santidade. Em certa oportunidade, a passagem de Lucas 22:31, que diz “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou” parecia tão vívida para Bunyan que ele a ouvia como que se alguém a gritasse atrás de seus ombros.

Bunyan lutou com a certeza de seu chamado e salvação. Muitas vezes ele sentia-se como Saul, Caim ou Esaú – um errante, que tendo conhecido alguma coisa da Palavra de Deus, a abandonou por um prato de lentilhas. Seus temores pelo inferno causavam desespero e grandes tumultos em sua alma.

Noutra ocasião, ele relata que “essas coisas me lançaram ao desespero. Quando essas tentações me sobrevinham com tamanha força, me comparava a uma criança que algum nômade havia levado para longe de seus amigos e de sua terra. Às vezes eu esperneava, gritava e chorava em desespero

O sofrimento de Bunyan se estendeu por anos. Em algumas ocasiões, ele experimentava algum alívio de suas tentações e consciência, em outras, o desespero era tal que ele não “conseguia orar a Cristo contra quem pecara”.

No Peregrino, Bunyan parece retratar esse tipo de angustia na passagem de Cristão pelo vale da sombra da morte. Lá, ele relata que Cristão encontrou homens que fugiam deste vale, porque lá tinha “sátiros e demônios do inferno. Uivos e gritos contínuos de um povo em aflição indizível, jazendo em sofrimento e cadeias. Por cima do vale, pairam as desoladoras nuvens da confusão, e a morte está sempre com as asas abertas. É tudo completamente terrível, lúgubre e sem ordem”.

Mas Cristão, embora trêmulo e temendo pela vida, desembainhou sua espada e seguiu pelo vale, até ver raiar o dia. Assim foi com Bunyan também, que finalmente viu o fim de suas angustias pela sua alma quando a  “sentiu a convicção da Justiça de Cristo em sua vida”. Ele chamou essa sua convicção de “triunfo da graça”.

Alguns anos depois de sua conversão, ele ficou viúvo e sua esposa deixou-lhe 4 filhos, sendo uma delas cega. Ele casou-se novamente com uma mulher muito piedosa, Elizabeth, que foi sua companheira e ajudadora o resto de sua vida; tornou-se pastor de uma congregação batista e, a partir da década de 1660, com o retorno da monarquia e a proibição do ministério de pregação leiga e não conformista, Bunyan passou a ser encarcerado em inúmeras oportunidades. A soma do tempo em que Bunyan passou na prisão totaliza 12 anos.

Durante seu julgamento, Bunyan defendeu seu direito de pregar lendo a passagem de I Pedro 4:10 e 11, que diz: “Servi uns aos outros cada um conforme o dom que recebeu como bons despenseiros da multiforme graça de Deus; se alguém fala, fale conforme os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Cristo Jesus, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!

Bunyan foi encarcerado.  E em cada oportunidade de sair da prisão, prometia que voltaria a pregar.  E voltava à prisão.  Seus dias de encarceramento foram de muitas incertezas e dificuldades

A cada dia, Bunyan sentia-se, literalmente, com a corda no pescoço. Ele sabia que poderia morrer a qualquer momento. Além disso, o pensamento das privações e sofrimento que sua família passaria era algo que lhe cortava o coração. Durante seu período de encarceramento, Bunyan registrou o seguinte

A separação de minha esposa e de meus filhos, sempre me tem sido como arrancar a carne de meus ossos, enquanto estou neste lugar. Isso não somente porque os amo demais, mas porque sou sempre lembrado de suas privações, misérias e da grande falta que minha família terá, se for tirado deles, especialmente minha pobre filhinha cega. Ah, pensar nas privações que minha doce filha cega pode passar quebra meu coração. Pobre criança! Que grandes sofrimentos será sua porção neste mundo. Ela poderá  ser esbofeteada, mendigar, passar fome, frio, não ter o que vestir e milhares de outras calamidades.

Foi na prisão que Bunyan escreveu sua obra prima, O Peregrino e sua autobiografia, “Graça Abundante ao Principal dos Pecadores.” Mas Bunyan produziu muitas obras e escritos. Segundo o historiador Christopher Hill, Bunyan escreveu cerca de 58 obras!

Bunyan foi alguém que produziu teologia sob o fogo da provação!

A maior parte de seus escritos tinha como propósito ajudar os peregrinos a percorrer o caminho que leva ao Céu. Escreveu obras evangelísticas; escreveu sobre a conversão; sobre a santidade; sobre a edificação dos santos; sobre as batalhas cristãs. Escreveu obras teológicas sobre a pessoa de Cristo, sobre a trindade, sobre a igreja e  escreveu também duas obras importantes sobre o sofrimento, uma delas chamada “Conselho aos Sofredores” e a outra, “As provações dos cristãos – a aflição e seus benefícios”.  Nessas obras, Bunyan encorajou o homem de dores a permanecer íntegro e fiel diante das perseguições e sofrimentos, dizendo que “Não há nada, além de Deus e da graça de Cristo, que mantém firme o homem que sofre, como uma boa vontade e consciência”. Sua consciência, como a de Lutero, estava cativa ao Senhor e por isso, ele dizia que “se tivesse 4500 litros de sangue, derramaria cada gota em favor de seu Salvador”.

Sobre ele, era dito que seu sangue era composto de versículos bíblicos. Tudo que Bunyan escrevia era repleto da Bíblia. Na verdade, a Bíblia era o livro que ela carregava consigo a maior parte do tempo e o único a que tinha acesso durante os dias de prisão.

Bunyan morreu aos 60 anos de idade, em 1688, quando, já com saúde debilitada depois de envolver-se num enorme esforço que resultou na publicação de 6 livros, cavalgou da cidade de Reading  para Londres debaixo de forte tempestade. Contraiu um pneumonia e, depois de dez dias de enfermidade, expirou – cruzando como verdadeiro peregrino o rio que leva à Jerusalém espiritual.

Tirando proveito das lutas
Alguns desses episódios de sua vida nos ajudam a entender as diferentes formas de sofrimento e qual deve ser nossa resposta a eles. Bunyan disse que seu sofrimento trouxe-lhe muita “convicção, instrução e entendimento”. Vejamos como ele tirou proveito das lutas que travou em sua vida e como nós também podemos ter esse proveito.

Autoconhecimento: As provas serviram para Bunyan conhecer melhor seu coração. Ele disse haver encontrado sete abominações contra as quais teve de lutar:
• inclinação à descrença;
• esquecimento súbito do amor de Deus;
• inclinação às obras da Lei;
• distração e frieza na oração;
• esquecer de observar aquilo porque orei;
• inclinação por murmurar pelo que não tenho mais e de abusar daquilo que tenho; e
• incapacidade de fazer o que Deus me ordena sem que a natureza pecaminosa me faça sentir sua presença.

Crescimento Espiritual: As aflições serviram também ao crescimento de Bunyan e, segundo ele via, conforme ensina Romanos 8.28, essas coisas aconteciam para seu bem. Deus as ordenava para que:

• eu negue a mim mesmo;
• eu seja impedido de confiar em meu coração;
• eu seja convencido da insuficiência de toda retidão inerente;
• eu veja a necessidade de vigiar e ser sóbrio;
• eu seja estimulado a orar a Deus, por meio de Cristo, para que me auxilie e conduza neste mundo.

Algumas conclusões:
1. Somos convidados a confiar em Deus em todas as circunstâncias e lutas da vida por causa dos sofrimentos de Jesus, na Cruz. – A cruz, instrumento de sofrimento, é nosso quinhão. Cristo nos convida a tomarmos a nossa cruz diariamente, a morrermos para nós mesmos e vivermos para ele, pois ele morreu por nós para que pudéssemos nele ter vida. Precisamos de nos crucificar para este mundo.

2. O sofrimento é o cadinho de Deus. Prova a nossa fé e nos refina. Somos amadurecidos e crescemos na medida em que colocamos nossos olhos em Cristo e nos sofrimentos dele, quando nós mesmos passamos por sofrimentos: (Hebreus 12:02): “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.

3. O sofrimento desta vida ajuda-nos a lembrar da esperança do porvir. A ressurreição e os novos céus e nova terra – a eternidade – fica diante de nossos olhos quando olhamos para as durezas da vida com perspectiva. Bunyan, descreve assim a cidade celestial: “Ora, no momento que as portas foram abertas, olhei para dentro. Eis que a cidade brilhava como o sol e as ruas eram pavimentadas com ouro. Nelas, andavam muitas pessoas com coroas nas cabeças, palmas nas mãos e harpas douradas, para com elas cantar louvores. Haviam também seres que tinham asas e clamavam incessantemente uns aos outros dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor. Tendo visto essas coisas, desejei muito estar entre eles”.

Que diante do sofrimento, tenhamos, finalmente, uma resposta como a de Jó:

“Bem sei que tudo podes, e que nenhum de teus planos pode ser frustrado.”
Jó 42.02

Vincit qui patitur (O que sofre conquista).


Fogo para Missões
"Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente."
Hebreus 13:08

Muito interessante que um homem da ciência compreenda que o tempo não é uma limitação, mas um motivador, assista o vídeo, reflita no texto abaixo! Isso poderá mudar o seu dia, o seu hoje, e principalmente o seu "para sempre".


Entendo que para Deus, o Eterno, não existe ontem, nem hoje ou amanhã, Deus é!

Claro que não compreenderemos como isso funciona, somos limitados por uma percepção de TEMPO, uma percepção que nos limita apenas a estas definições de ontem, de hoje e amanhã, depois de amanhã, o próximo segundo, minuto, hora, dia, mês, ano, década, século, milênio.

O tempo nos permite calcular a velocidade, pois com velocidade podemos chegar em menos tempo, e talvez sobre tempo para fazer mais alguma outra coisa, afinal, como diz a conhecida frase "não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje".

Entendo então que o tempo não é um inimigo ou um carrasco, mas uma expressão do AMOR de Deus. É justamente através desta compreensão de tempo, que podemos imaginar a eternidade.

Você já notou que temos a impressão de tempo diferente quando estamos em uma situação boa ou ruim? Uma hora ao lado da pessoa amada parece passar tão rápido, já estes mesmo 60 minutos parecem demorar muito no hall de espera de um hospital, o tempo está ligado às nossas emoções, profundamente.

Então Deus, o Eterno Deus, deu ao homem o tempo, para que pudéssemos imaginar a eternidade com Ele ou eternamente sem Ele. Deus fez também muitas outras coisas para, juntas, apontarem para o homem o Caminho, a Verdade e a Vida, Jesus Cristo!

TODOS PRECISAM SER SALVOS
"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus."
Romanos 3:23 e 24

JESUS NOS TORNA JUSTOS, SE CREMOS NELE
"Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus."
Romanos 3:25 e 26

O DESTINO DOS JUSTIFICADOS POR CRISTO
"E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna."
Mateus 25:46

JESUS É O ÚNICO SALVADOR
"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." 
João 14:06

O QUE FAZER PARA SER SALVO
"A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação."
Romanos 10:9 e 10


Sempre gosto de deixar esta mensagem ao final de minhas publicações do Facebook, principalmente no meu perfil pessoal, um convite para meus amigos (nem todos são cristãos), algo assim: Se desejar, me envie uma mensagem "inbox" e eu poderei compartilhar um pouco mais sobre o plano de salvação de Deus para os homens, através de Jesus Cristo, o Filho de Deus!

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Fogo para Missões
"Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."
Romanos 12:01 e 02


O canadense Oswald Jeffray Smith aceitou a Cristo aos dezesseis anos ao ouvir o famoso evangelista R. A. Torrey. Preparou-se para o ministério e foi ordenado pastor presbiteriano. Seu desejo era dedicar-se à obra missionária mas foi advertido de que era muito fraco fisicamente para enfrentar a dura vida missionária.

Como o Pr. José dos Reis Pereira disse: "As juntas missionárias às vezes falham nos seus diagnósticos - o jovem tão fraco, que não podia ser missionário, viveu 96 anos (...)".

Um de seus lemas era: “Nenhuma visão que não seja o mundo é a visão de Deus”. Suas iniciativas para influenciar o mundo foram tão grandes que milhares de pessoas o chamavam de “Sr. Missões”. Deus o usou poderosamente num trabalho que não deixou de ser missionário, pois além de pregar em 80 países do mundo [inclusive o Brasil], ainda fundou uma igreja que tem sustentado centenas de missionários.

Oswald J. Smith fundou a Igreja do Povo, em Toronto, em 1928, e continuou como seu pastor até 1958. Embora seja uma das maiores igrejas do Canadá, sua fama reside no sustento de missionários através do mundo. Do seu pastor foi dito: "O Dr. Oswald Smith deu mais ímpeto para missões do que qualquer outra pessoa viva".

Billy Graham, falando dos 35 livros (traduzidos para 128 línguas) deste servo do Senhor, escreveu: "Seus livros tem sido usados pelo Espírito Santo para penetrar na profundeza da minha alma e tiveram uma influência tremenda sobre minha vida pessoal e meu ministério".

O seu livro Paixão Pelas Almas, amplamente divulgado pela Junta de Missões Mundiais, teve"A tarefa suprema da Igreja é a evangelização do mundo", Oswald Smith pregava isso e o praticava. Foi um evangelista mundial, pregando e ganhando almas em todos os continentes. Pelo rádio alcançou milhões de pessoas, através de 42 emissoras. Como editor, publicou uma revista por mais de 40 anos. Foram-lhe conferidos três doutorados (honoris causa) .
enorme repercussão no Brasil.

Como hinista, o Dr. Smith escreveu mais de 1. 200 poesias e letras de hinos e cânticos evangélicos. Publicou várias coletâneas. Billy Graham pregou na ocasião do culto fúnebre deste eminente estadista missionário, e entre outras coisas disse que Oswald Smith foi "a maior combinação de pastor, hinólogo, líder missionário e evangelista de nosso tempo".


Fogo para Missões
"Tu, Senhor, és a porção da minha herança e do meu cálice; tu és o sustentáculo do meu quinhão. As sortes me caíram em lugares deliciosos; sim, coube-me uma formosa herança."
Salmos 16:05 e 06



Há coisas que podemos escolher e "controlar", diante das quais podemos tomar nossas decisões. Podemos, por exemplo, escolher abrir a Palavra de Deus e meditar nela, aprender de Deus, obedecer ao Senhor e descansar Nele.

Mas há aqueles que simplesmente preferem deixar "a vida os levar", não fazem de YHWH seu Deus, escolhem as sementes segundo seus corações, e quase sempre culpam a Deus quando é hora de colher seus frutos.

Para o cristão, que não vive mais segundo a Lei, mas sob a GRAÇA, Deus não é o Legislador, YHWH É NOSSA HERANÇA, Ele é tudo o que temos, tudo o que desejamos e precisamos ter.

Davi escreveu o que conhecemos hoje como Salmos 16 e em determinado momento ele declara esta verdade, "Tu, Senhor, és a porção da minha herança" e ele estava se referindo claramente às porções de terra que Deus entregou às tribos de Israel (Josué 13 ao 19).

Para Davi, o homem segundo o coração de Deus, mais do que escolher obedecer ao Senhor, como um Legislador, ele se deleitava em algo que ele não escolheu, algo que ele mesmo não conseguia "controlar": DEUS O ESCOLHEU.

Quando Davi declara "as sortes me caíram em lugares deliciosos", ele não está falando de algo sobre o qual ele teve alguma influência, pelo contrário, assim como cada tribo de Israel recebeu do Senhor suas porções da terra prometida (Gênesis 49; Deuteronômio 33), Davi recebeu do Senhor uma porção como herança, e esta porção era um relacionamento com o próprio Deus.

Alegre-se, pois se você foi alcançado pelo Evangelho de Cristo, foi Ele quem te escolheu e te fez entrar nesta herança, de modo que Ele, o próprio Deus se tornou a sua melhor porção. E você, que está lendo estas linhas mas ainda não crê no Evangelho, creia, e pela GRAÇA, mediante a fé, venha experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para sua vida.

Sempre gosto de deixar esta mensagem ao final de minhas publicações do Facebook, principalmente no meu perfil pessoal, um convite para que o leitor, se desejar, me envie uma mensagem INBOX, para que eu possa compartilhar de forma pessoal o PLANO DE SALVAÇÃO de Deus, em Jesus Cristo.

NA PALAVRA DE DEUS

"O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus; e, se filhos, também herdeiros, HERDEIROS DE DEUS e co-herdeiros de Cristo;"
Romanos 8:16

"E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a BOA, AGRADÁVEL, e PERFEITA vontade de Deus."
Romanos 12:02

"E acontecerá que TODO AQUELE QUE INVOCAR o nome do Senhor será salvo."
Atos 2:21

"Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E EM NENHUM OUTRO HÁ SALVAÇÃO; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.
Atos 4:10 ao 12

"Respondeu-lhe Jesus: EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE, E A VIDA; ninguém vem ao Pai, senão por mim."
João 14:06


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Fogo para Missões
"Santifica-me todo o primogênito, o que abrir toda a madre entre os filhos de Israel, de homens e de animais; porque meu é.
Êxodo 13:02

Tiago Taylor tinha-se levantado cedo de madrugada. Chegara por fim o auspicioso e anunciado dia de seu casa­mento; o moço ocupava-se em arrumar tudo para receber a noiva na casa que iam ocupar. Enquanto trabalhava, esta­va meditando sobre as ocorrências recentes na aldeola.

Duas famílias, a dos Cooper e a dos Shaw, converte­ram-se e convidaram João Wesley a pregar na feira. O ve­lho discursou sobre "a ira vindoura" de tal maneira, que o povo desistiu da amarga perseguição, deixando o intrépido pregador hospedar-se na casa do senhor Shaw.

Enquanto Tiago preparava a casa para a chegada da noiva, ouvia-se a voz da vizinha, a senhora Shaw, cantan­do. Lembrou-se de como ela, meses antes, passava todo o tempo acamada, gemendo dia após dia por causa do reu­matismo que a deixara aleijada. Mas quando "confiou no Senhor", como disse, para a cura imediata, grande foi a transformação. E indizível foi a surpresa do marido ao vol­tar a casa: a esposa não somente estava curada e de pé, mas estava varrendo a cozinha! Tiago Taylor odiava a religião. Ainda mais: esse era o dia em que se ia casar. Depois do casamento iam dançar e beber como se fazia em tais ocasiões. Mas não podia livrar-se das palavras, talvez ouvidas do sermão do pregador: "Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor."

Sim, ia ter uma esposa e assumir as responsabilidades de marido e de pai de família. Grande tinha sido seu des­cuido. Resolvido, então, a entrar seriamente na vida de ca­sado, começou a repetir as palavras: "Serviremos ao Se­nhor!"

As horas se passavam. O sol subia mais e mais sobre as casas cobertas de neve. Mas o jovem Tiago, esquecido de tudo que é material, e tomado pela realidade das coisas eternas, permaneceu de joelhos, face a face com Deus. O amor do Salvador, por fim, venceu o seu coração e Tiago Taylor levantou-se com a alma cheia do Senhor Jesus.

Podemos imaginar como os sinos dobraram, como a noiva e os convivas se impacientaram, nesse dia. Já havia passado a hora para o culto de casamento quando o jovem despertou do enlevo com Deus e se levantou da oração. De­pois de vestir-se, venceu rapidamente os três quilômetros até o vilarejo de Royston.


Sem perderem tempo em perguntar ao rapaz a razão de tanto atraso, realizou-se o culto, e Tiago e Elisabete saí­ram da igreja, casados. O jovem não vacilou, mas ao sair contou tudo acerca da sua conversão, ao ouvido de Bete. Ao ouvir o que ele relatava, ela exclamou em tom de deses­pero: "Casei-me, então, com um desses metodistas!"

Não houve dança nesse dia; a voz e o violino do noivo foram usados para glorificar o Mestre. Bete, apesar de sa­ber em seu coração que Tiago tinha razão, continuou a re­sistir e a queixar-se dia após dia. Então, certo dia, quando se mostrava ainda mais contrariada, o robusto Tiago le­vantou-a nos braços e a levou para o quarto, onde se ajoe­lhou ao seu lado, derramando a sua alma em oração por ela. Comovida pela profundeza da mágoa e cuidado que Tiago sentia por sua alma, ela começou a sentir também seu pecado e, no dia seguinte, de joelhos, ao lado do mari­do, Elisabete Taylor clamou a Deus, renunciando a vaida­de do mundo e entregando-se a Cristo. É, assim, com os bisavós, que começa a verdadeira bio­grafia do herói da fé, Hudson Taylor. Os avós e os pais, na mesma ordem, criaram seus filhos no mesmo temor de Deus.

Num memorável dia, antes do nascimento de Hudson, o primogênito da família, o pai procurou a sua esposa para conversar sobre uma passagem das Escrituras que o im­pressionava profundamente. Na sua Bíblia leu para ela uma parte dos capítulos 13 de Êxodo e 3 de Números: "Santifica-me todo o primogênito... Todo o primogênito meu é... Meus serão... Apartarás para o Senhor..."

Os dois conversaram muito tempo sobre o gozo que es­peravam ter. Então, de joelhos, entregaram seu primogêni­to ao Senhor, pedindo que desde já ele o separasse para a sua obra.

Tiago Taylor, o pai de Hudson, não somente orava fer­vorosamente por seus cinco filhos, mas ensinou-os a pedi­rem detalhadamente a Deus todas as coisas. Ajoelhados, diariamente, ao lado da cama, o pai colocava o braço ao re­dor de cada um enquanto orava insistentemente por ele. Desejava que cada membro da família passasse, também, ao menos meia hora, todos os dias, perante Deus, renovan­do a alma por meio de oração e estudo das Escrituras.

A porta fechada do quarto da sua mãe, diariamente ao meio-dia, apesar das suas constantes e inumeráveis obri­gações, tinha também grande influência sobre todos, pois sabiam que ela, assim, se prostrava perante Deus para re­novar suas forças e para que o próximo se sentisse atraído ao Amigo invisível que habitava nela.

Não é de admirar, portanto, que, ao crescer, Hudson se consagrasse inteiramente a Deus. O grande segredo do seu incrível êxito é que em tudo que carecia, no sentido espiri­tual ou material, recorria a Deus e recebia dos tesouros in­finitos.

Contudo, não devemos julgar que a mocidade de Hud­son Taylor fosse isenta de grandes lutas. Como acontece com muitos, o moço chegou à idade de dezessete anos sem reconhecer Cristo como seu Salvador. Acerca disso ele es­creveu mais tarde:"Pode ser coisa estranha, mas sou grato pelo tempo que passei no ceticismo. O absurdo de crentes que professam crer na Bíblia enquanto se comportam justamente como se não existisse tal livro, era um dos maiores argumentos dos meus companheiros céticos. Freqüentemente afirmava que, se eu aceitasse a Bíblia, ao menos faria tudo para se­guir o que ela ensina e no caso de achar que tal coisa não era prática, lançaria tudo fora. Foi essa a minha resolução quando o Senhor me salvou. Acho que desde então real­mente provei a Palavra de Deus. Certamente nunca me ar­rependi de confiar nas suas promessas ou de seguir a sua direção.

"Quero relatar então como Deus respondeu às orações da minha mãe e da minha querida irmã, por minha con­versão:

"Certo dia, para mim inesquecível,... para me divertir, escolhi um tratado na biblioteca de meu pai. Pensei em ler o começo da história e não ler a exortação do fim.

"Eu não sabia o que acontecia ao mesmo tempo no co­ração da minha querida mãe, que estava a mais de cem quilômetros de casa. Ela levantara-se da mesa anelando a salvação de seu filho. Estando longe da família e livre da lida doméstica, entrou no seu quarto, resolvida a não sair antes de receber a resposta às suas orações. Orou hora após hora, até que, por fim, só podia louvar a Deus: o Espírito Santo revelou-lhe que o filho por quem orava já se havia convertido.

"Eu, como já mencionei, fui dirigido ao mesmo tempo a ler o tratado. Fui atraído pelas palavras: A obra consuma­da. Perguntei-me a mim mesmo: "Por. que o escritor não escreveu: A obra propiciatória? Qual é a obra consuma­da?" Então vi que a propiciação de Cristo era plena e per­feita. Toda a dívida de nossos pecados ficou paga e não res­tava coisa alguma que eu fizesse. Então raiou em mim a gloriosa convicção; fui iluminado pelo Espírito Santo, para reconhecer que eu somente precisava de prostrar-me e, aceitando o Salvador e a sua salvação, louvá-lo para todo o sempre.

"Assim, enquanto a minha querida mãe, no seu quarto, de joelhos, estava louvando a Deus, eu também louvava a Deus na biblioteca de meu pai, onde entrara para ler o li­vrinho."

Foi assim que Hudson Taylor aceitou, para a sua pró­pria vida, a obra propiciatória de Cristo, um ato que trans­formou todo o resto da sua vida. Acerca da sua consagra­ção, ele escreveu:

"Lembro-me bem da ocasião, quando, com gozo no co­ração, derramei a alma perante Deus, repentinamente, confessando-me grato e cheio de amor porque Ele tinha feito tudo - salvando-me quando eu não tinha mais espe­rança, nem queria a salvação. Supliquei-lhe que me conce­desse uma obra para fazer, como expressão do meu amor e gratidão, algo que envolvesse abnegação, fosse o que fosse; algo para agradar a quem fizera tanto para mim. Lembro-me de como, sem reserva, consagrei tudo, colocando a mi­nha própria pessoa, a minha vida, os amigos, tudo sobre o altar. Com a certeza de que a oferta fora aceita, a presença de Deus se tornou verdadeiramente real e preciosa. Pros­trei-me em terra perante Ele, humilhado e cheio de indizí­vel gozo. Para que serviço fora aceito eu não sabia. Mas fui possuído de uma certeza tão profunda de não pertencer mais a mim mesmo, que esse entendimento, depois domi­nou toda a minha vida".

O moço que entrou no quarto para estar sozinho com Deus nesse dia, não era o mesmo quando dali saiu. Um alvo e um poder se apossaram dele. Não mais ficou satis­feito em somente alimentar a sua própria alma nos cultos; começou a sentir a sua responsabilidade para com o próxi­mo - anelava tratar dos negócios de seu Pai. Regozijava-se com riquezas e bênçãos indizíveis. E, como os leprosos no arraial dos siros, Hudson e sua irmã, Amélia, diziam: Não fazemos bem; este dia é de boas novas, e nos calamos. De­sistiram, pois, de assistir aos cultos aos domingos à noite e saíram para anunciar a mensagem, de casa em casa, entre as classes mais pobres da cidade. Mas Hudson Taylor não se sentia satisfeito; sabia que ainda não estava no centro da vontade de Deus. Na angústia de seu espírito, como aquele da antiguidade, clamou: Não te deixarei ir, se me não abençoares. Então, sozinho e de joelhos, surgiu na sua alma um grande propósito: se Deus rompesse o poder do pecado e o salvasse em espírito, alma e corpo para toda a eternidade, ele renunciaria tudo na terra para ficar sempre ao seu dispor. Acerca desta experiência, foi ele mesmo que se expressou:

"Nunca me esquecerei do que senti então; não há pala­vras para descrever. Senti-me na presença de Deus, en­trando numa aliança com o Todo-poderoso. Pareceu-me que ouvi enunciadas as palavras: Tua oração é ouvida; to­das condições são aceitas.' Desde então nunca duvidei da convicção de que Deus me chamava a trabalhar na China."

A chamada de Deus, apesar de Hudson Taylor quase nunca a mencionar, ardia como um fogo dentro do seu co­ração. Copiamos a seguir o seguinte trecho de uma das car­tas enviada a sua irmã:

"Imagina, centenas de milhões de almas sem Deus, sem esperança, na China! Parece incrível; milhões de pes­soas morrem dentro de um ano sem qualquer conforto do Evangelho!... Quase ninguém liga importância à China, onde habita cerca da quarta parte da raça humana... Ora por mim, querida Amélia, pedindo ao Senhor que me dê mais da mente de Cristo... Eu oro no armazém, na estreba­ria, em qualquer canto onde posso estar sozinho com Deus. E ele me concede tempos gloriosos... Não é justo esperar que V... (a noiva de Hudson) vá comigo para morrer no es­trangeiro. Sinto profundamente deixá-la, mas meu Pai sabe qual é a melhor coisa e não me negará coisa alguma que seja boa..."

A falta de espaço não permite relatarmos aqui o heroís­mo da fé que o jovem mostrou suportando os sacrifícios e as privações necessárias para cursar a escola de medicina e de cirurgia para melhor servir o povo da China.

Antes de embarcar, escreveu estas palavras à sua mãe: "Anelo estar aí uma vez mais e sei que a senhora quer ver­me, mas acho melhor não nos abraçarmos um ao outro mais, pois isso seria encontrarmo-nos para logo nos sepa­rarmos para todo o sempre..." Contudo a sua mãe foi ao porto de onde o navio se ia fazer à vela. Alguns anos depois ele assim registrou a partida:"A minha querida mãe, que agora está com Cristo, veio a Liverpool para despedir-se de mim. Nunca me esquece­rei de como ela entrou comigo no camarote em que eu ia morar quase seis longos meses. Com o carinho de mãe, en­direitou os cobertores da pequena cama. Assentou-se ao meu lado e cantamos o último hino antes de nos separar­mos um do outro. Ajoelhamo-nos e ela orou. Foi a última oração de minha mãe antes de eu partir para a China. Ou­viu-se então o sinal para que todos os que não eram passa­geiros saíssem do navio. Despedimo-nos um do outro, sem a esperança de nos encontrarmos outra vez... Ao passar o navio pelas comportas, e quando a separação começou a ser realidade, do seu coração saiu um grito de angústia tão comovente, que jamais esquecerei. Foi como que meu cora­ção fosse traspassado por uma faca. Nunca reconheci tão plenamente até então, o que significam as palavras: Pois assim amou Deus ao mundo. Estou certo de que a minha preciosa mãe, nessa ocasião, chegou a compreender mais do amor de Deus para com um mundo que perece do que em qualquer outro tempo da sua vida. Oh! como se entris­tece o coração de Deus ao ver como seus filhos fecham os ouvidos à chamada divina para salvar o mundo pelo qual seu amado, seu único Filho sofreu e morreu!"

Os passageiros de navios modernos conhecem muito pouco do incômodo de viajar em navio à vela. Depois de uma das muitas tempestades por que passou o "Dum­fries", o nosso herói escreveu: "A maior parte do que pos­suo está molhado. O camarote do comissário, coitado, inundou-se..." Somente pelas orações e grandes esforços de todos a bordo é que conseguiram salvar as próprias vi­das quando o navio, levado por grande temporal, estava prestes a naufragar nas pedras da praia de Gales. A viagem que esperavam realizar em quarenta dias levou cinco me­ses e meio! Somente em 1 de março de 1854, Hudson Taylor, com a idade de vinte e um anos, conseguiu desembar­car em Shanghai, quando então ele escreveu estas impres­sões:

"Não posso descrever o que senti ao pisar em terra. Pa­recia-me que o coração ia estourar; as lágrimas de gratidão e gozo corriam-me pelas faces."Sobreveio-lhe, então, uma grande onda de saudade; não havia amigos, nem conhecidos, nem qualquer pessoa em todo o país para saudá-lo bem-vindo nem mesmo al­guém que conhecesse o seu nome.

Nesse tempo a China era terra incógnita, a não ser os cinco portos no litoral, abertos à residência de estrangei­ros. Foi na casa de um missionário em Shanghai, um dos cinco portos, que o moço achou hospedagem.

A vitória em todas as variadas provações nesse tempo era devida à característica mais saliente de Hudson Tay­lor, talvez a de nunca ficar parado na sua obra, fosse qual fosse o contratempo.

Durante os primeiros três meses na China, distribuiu 1.800 Novos Testamentos e Evangelhos e mais de 2 mil li­vros. Durante o ano de 1855, fez oito viagens - uma de tre­zentos quilômetros, subindo o rio Yangtzé. Em outra via­gem visitou cinqüenta e uma cidades onde nunca antes se ouvira a mensagem do Evangelho. Nessas viagens foi sem­pre prevenido do perigo que corria a sua vida entre um povo que nunca tinha visto estrangeiros.

Para ganhar mais almas para Cristo, apesar da censura dos demais missionários, adotou o hábito de vestir-se como os chineses. Rapou a cabeça na frente, deixando o resto dos cabelos a formar trança comprida. A calça, que tinha mais de meio metro de folga, ele a segurava conforme o costume, com um cinto. As meias eram de chita branca, o calçado de cetim. O manto pendendo dos ombros, sobressaía-lhe a ponta dos dedos das mãos mais que setenta centímetros.

Mas uma das cruzes mais pesadas que o nosso herói teve de levar foi a falta de dinheiro, quando a missão que o enviara se achava sem recursos.

Em 20 de janeiro de 1858, Hudson Taylor casou-se com Maria Dyer, uma missionária de talento na China. Desse enlace nasceram cinco filhos. A casa em que moraram pri­meiro, na cidade de Ningpo, tornou-se depois o berço da famosa Missão do Interior da China.

As privações e os encargos de serviço em Shanghai, Ningpo e outros lugares eram tais que Hudson Taylor, an­tes de completar seis anos na China, foi obrigado a voltar à Inglaterra para recuperar a saúde. Foi para ele quase como que uma sentença de morte quando os médicos informa­ram-lhe de que nunca mais devia voltar à China.

Entretanto, o fato de perecerem mais de um milhão de almas todos os meses na China era uma realidade para Hudson Taylor; com seu espírito indômito, ao chegar à In­glaterra, iniciou imediatamente a tarefa de preparar um hinário e a revisão do Novo Testamento para os novos con­vertidos que deixara na China. Usando ainda o traje de chinês, trabalhava tendo o mapa da China na parede e a Bíblia sempre aberta sobre a mesa. Depois de alimentar-se e fartar-se da Palavra de Deus, fitava o mapa, lembrando-se dos que não tinham tais riquezas. Todos os problemas ele os levava a Deus; não havia coisa alguma demasiado grande, nem tão insignificante, que a não deixasse com o Senhor em oração.

Em razão de suas atividades, estava tão sobrecarrega­do de correspondência e nos trabalhos dos cultos em prol da China, que após a sua chegada passaram-se mais de vinte dias antes de conseguir abraçar seus queridos pais em Bransley.

Passava, às vezes, a manhã, outras vezes a tarde, em jejum e oração. O seguinte trecho que ele escreveu mostra como a sua alma continuou a arder nos seus discursos nas igrejas da Inglaterra, sobre a obra missionária.

"Havia a bordo, entre os companheiros de viagem, cer­to chinês que se chamava Pedro. Passara alguns anos na Inglaterra, mas, apesar de conhecer algo do Evangelho, não reconhecia coisa alguma do seu poder para salvar. Senti-me ligado a ele e esforcei-me em orar e falar para levá-lo a Cristo. Mas quando o navio se aproximava de Sung-Kiang e eu me preparava para ir a terra, pregar e distribuir trata­dos, ouvi o grito de um homem que caíra na água. Fui ao convés com os outros - Pedro tinha desaparecido.

"Imediatamente arriamos as velas, mas a correnteza da maré era tal que não tínhamos a certeza do lugar onde o homem caíra. Vi alguns pescadores próximos, que usavam uma rede varredoura. Angustiado clamei:

- Venham passar a rede aqui, pois um homem está morrendo afogado!- Veh bin, foi a resposta inesperada, isto é, "Não é con­veniente".

- Não falem se é ou não é conveniente. Venham depres­sa antes que o homem pereça.

- Estamos pescando.

- Eu sei! Mas venham imediatamente e pagarei bem.

- Quanto nos quer dar?

- Cinco dólares, mas não fiquem conversando. Salvem o homem sem demora!

- Cinco dólares não basta - responderam eles. Não o fa­remos por menos de trinta dólares.

- Mas não tenho tanto! - darei tudo que eu tenho.

- Quanto tem o senhor?

- Não sei - porém não é mais do que catorze dólares. "Então os pescadores vieram, passaram a rede no lugar indicado. Logo à primeira vez apanharam o corpo do ho­mem. Mas todos os meus esforços para restaurar-lhe a res­piração foram inúteis. Uma vida fora sacrificada pela indi­ferença dos que podiam salvá-la quase sem esforço."

Ao ouvirem contar esta história, uma onda de indigna­ção passou por todo o grande auditório. Haveria em todo o mundo um povo tão endurecido e interesseiro como esse! Mas ao continuar o seu discurso, a convicção feriu ainda mais o coração dos ouvintes.

- "O corpo então tem mais valor que a alma? Censura­mos esses pescadores, dizendo que foram culpados da mor­te de Pedro, porque era coisa fácil salvá-lo. - Mas que acontece com os milhões que estamos deixando perecer para toda a eternidade? Que diremos acerca da ordem implícita: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura? Deus nos diz também: 'Livra os que estão des­tinados à morte, e os que são levados para a matança, se os puderes retirar. Se disseres: eis que não o sabemos; por­ventura aquele que pondera os corações não o considerará? e aquele que atenta a tua alma não o saberá? não pagará ele ao homem conforme a sua obra?'

- "Credes que cada pessoa entre esses milhões da Chi­na, tem uma alma imortal e que não há outro nome debai­xo do céu, dado entre os homens a não ser o precioso nome de Jesus, pelo qual devamos ser salvos? - Credes que Ele,Ele só, é o Caminho, a Verdade e a Vida e que ninguém vai ao Pai senão por Ele? Se assim o credes, examinai-vos a vós mesmos para ver se estais fazendo todo o possível para levar seu nome a todos.

"Ninguém deve dizer que não é chamado para ir à Chi­na. Ao enfrentar tais fatos, todas as pessoas precisam sa­ber se têm uma chamada para ficarem em casa. Amigo, se não tens certeza de uma chamada para continuar onde es­tás, como podes desobedecer à clara ordem do Salvador, para ir? - Se estás certo, contudo, de estares no lugar onde Cristo quer, não por causa do conforto ou dos cuidados da vida, então estás tu orando como convém a favor dos mi­lhões de perdidos da China? Estás tu usando teus recursos para a salvação deles?"

Certo dia, não muito depois de haver regressado à In­glaterra, Hudson Taylor, ao completar a estatística, veio a saber que o número de missionários evangélicos na China diminuira em vez de aumentar. Apesar de a metade da po­pulação pagã estar na China, o número de missionários durante o ano tinha diminuído de cento e quinze para so­mente noventa e um. Começaram a soar aos ouvidos do missionário estas palavras: "Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; não avisando tu, não falando para avisar o ímpio acerca do seu caminho ímpio, para salvar a sua vida. aquele ímpio morrerá na sua maldade, mas o seu sangue da tua mão o requererei".

Era um domingo, 25 de junho de 1865, de manhã, à bei­ra-mar. Hudson Taylor, cansado e doente, estava com al­guns amigos em Brighton. Mas não podendo suportar mais o regozijo da multidão na casa de Deus, retirou-se para an­dar sozinho nas areias da maré vazante. Tudo em redor era paz e bonança, mas na alma do missionário rugia uma tempestade. Por fim, com alívio indizível, clamou: "Tu, Senhor, tu podes assumir todo o encargo. Com tua chama­da, e como teu servo, avançarei, deixando tudo nas tuas mãos."

Assim "a Missão do Interior da China foi concebida na sua alma e todas as etapas do seu progresso realizaram-se por seus esforços. Na calma do seu coração, na comunhão profunda e indizível com Deus, originou-se a missão."Com o lápis na mão, abriu a Bíblia e, enquanto as on­das do vasto mar batiam aos seus pés, escreveu as simples mas memoráveis palavras: "Orei em Brighton pedindo vinte e quatro trabalhadores competentes e dispostos, em 25 de junho de 1865".

Mais tarde, recordando-se da vitória dessa ocasião es­creveu:

"Grande foi o alívio de espírito que senti ao regressar da praia. Depois de findar o conflito, tudo era gozo e paz. Parecia que me faltava muito pouco para voar até a casa do senhor Pearse. Na noite desse dia dormi profundamen­te. A querida esposa achou que a visita a Brighton serviu para renovar-me maravilhosamente. Era verdade!"

O vitorioso missionário, juntamente com a família e os vinte e quatro chamados por Deus, embarcaram em Lon­dres, no "Lammermuir", para a China em 26 de setembro de 1865. O anelante alvo de todos era o de erguer a bandei­ra de Cristo nas onze províncias ainda não ocupadas da China. Alguns dos amigos os animaram, mas outros disse­ram: "Todo o mundo ficará esquecido dos irmãos. Sem uma junta aqui na Inglaterra ninguém se importará com a obra por muito tempo. Promessas são fáceis de fazer hoje em dia; dentro de pouco tempo não terão o pão cotidiano".

A viagem levou mais que quatro meses. Acerca de uma das tempestades, um dos missionários escreveu:

"Durante todo o temporal, o senhor Taylor se compor­tou com a maior calma. Por fim os marinheiros recusaram-se a trabalhar. O comandante aconselhou todos a bordo a amarrarem os cintos de salvação, dizendo que o navio não resistiria à força das ondas mais que duas horas. Nessa al­tura, o comandante avançou na direção dos marinheiros com o revólver na mão. O senhor Taylor então aproximou-se dele e pediu-lhe que não obrigasse dessa forma os mari­nheiros a trabalhar. O missionário dirigiu-se também aos homens e explicou-lhes que Deus ia salvá-los, mas que eram necessários os maiores esforços de todas as pessoas a bordo. Acrescentou que tanto ele como todos os passagei­ros estavam prontos a ajudá-los, e que, como era evidente, as vidas deles também corriam perigo. Os homens conven­cidos por esses argumentos começaram a tirar os destroços,ajudados por todos nós; em pouco tempo conseguimos amarrar os grandes mastros, que batiam com tanta força que estavam demolindo um lado do navio".

Foram horas de grande regozijo quando o "Lammer­muir", por fim, aportou, com todos sãos a bordo, em Shanghai. Outro navio que chegou logo após, perdera de­zesseis das vinte e duas pessoas a bordo!

Os missionários iniciaram o ano de 1867 com um dia de jejum e oração, pedindo, como Jabez, que Deus os aben­çoasse e estendesse os seus termos. O Senhor os ouviu dan­do-lhes entrada, durante o ano, em outras tantas cidades! Encerraram o ano com outro dia de jejum e oração. Um culto durou das onze da manhã às três da tarde, sem nin­guém se sentir enfadado. Outro culto se realizou às 8,30 da noite quando sentiram ainda mais a unção do Espírito Santo. Continuaram juntos em oração até a meia-noite, quando celebraram a Ceia do Senhor.

No início de 1867, o Senhor chamou Graça Taylor, filha de Hudson Taylor, para o Lar Eterno, quando ela comple­tava oito anos de idade. No ano seguinte, a senhora Taylor e o filho, Noel, faleceram de cólera. Foi assim que se ex­pressou o pai e marido:

"Ao amanhecer o dia, apareceu à luz do sol o que fora ocultado pela luz de vela - a cor característica da morte no rosto da minha esposa. O meu amor não podia ignorar por mais, não somente o seu estado grave, mas que realmente ela estava morrendo. Ao conseguir acalmar o meu espírito, eu lhe disse:

- Sabes, querida, que estás morrendo?

- Morrendo! Achas que sim? Por que pensas tal coisa?

- Posso ver, que sim, querida. As tuas forças estão se acabando.

- Será mesmo? Não sinto qualquer dor, apenas cansa­ço.

- Sim, estás saindo para a Casa Paterna. Brevemente estarás com Jesus.

"Minha preciosa esposa, lembrando-se de mim e de como eu devia ficar sozinho, em um tempo de tão grandes lutas, privado da companheira com a qual tinha o costume de levar tudo ao trono da graça, disse:- Sinto muito!

Então ela parou, como que querendo corrigir o que dis­sera, porém eu lhe perguntei:

- Estás triste por causa da partida para estar com Je­sus?

"Nunca me esquecerei de como ela olhou para mim e respondeu:

- Oh! não. Bem sabes, querido, que durante mais de dez anos, não houve sombra alguma entre mim e meu Sal­vador. Não estou triste por causa da partida para estar com Ele, mas me entristeço porque terás de ficar sozinho nessas lutas. Contudo... Ele estará contigo e suprirá tudo o que é mister."

"Nunca presenciei uma cena tão comovente" - escre­veu o senhor Duncan. - "Com a última respiração da que­rida senhora Taylor, o senhor Taylor caiu de joelhos, o co­ração transbordando, e a entregou ao Senhor, agradecen­do-lhe a dádiva e os doze anos e meio que passaram juntos. Agradeceu-lhe, também, pela bênção de Ele mesmo a le­var para a sua presença. Então, solenemente dedicou-se a si mesmo novamente ao serviço do Mestre.

Não é de supor que Satanás deixasse a Missão do Inte­rior da China invadir seu território com vinte e quatro ou­tros obreiros, sem incitar o povo a maior perseguição. Fo­ram distribuídos em muitos lugares, impressos atribuindo aos estrangeiros os mais horripilantes e bárbaros crimes, especialmente aos que propagavam a religião de Jesus. Al­voroçaram-se cidades inteiras e muitos dos missionários ti­veram de abandonar tudo e fugir para escapar com vida.

Quase seis anos depois de o grupo do "Lammermuir" haver desembarcado na China, Hudson Taylor estava no­vamente na Inglaterra. Durante esse tempo da obra na China, a missão aumentava de duas estações com sete obreiros, para treze estações com mais de trinta missioná­rios e cinqüenta obreiros, estando separadas as estações, uma da outra, na média de cento e vinte quilômetros.

Foi durante essa visita à Inglaterra que Hudson Taylor se casou com Miss Faulding, também fiel e provada mis­sionária na China.


Acerca de Hudson Taylor, nesse tempo, certa pessoa amiga, escreveu:

"O senhor Taylor anunciou um hino, sentou-se ao har­mônio e tocou. Não fui atraído por sua personalidade. Era de físico franzino e falou com voz mansa. Como os demais jovens, eu julgava que uma grande voz sempre acompa­nhava um verdadeiro prestígio. Mas quando ele disse: 'O­remos e nos dirigiu em oração, mudei de parecer; eu nunca ouvira alguém orar como ele. Havia na sua oração uma ousadia, um poder que fez todas as pessoas presentes se humilharem e sentirem-se na presença de Deus. Falava face a face com Deus como um homem com um amigo. Sem dúvida, tal oração era o fruto de longa permanência com o Senhor; era como o orvalho descendo dos céus. Te­nho ouvido muitos homens orarem, mas não ouvi ninguém como o senhor Taylor e o senhor Spurgeon. Ninguém, de­pois de ouvir como esses homens oravam, pode esquecer-se de tais orações. Foi a maior experiência da minha vida ou­vir o senhor Spurgeon, quando tomou, como se fosse a mão do auditório de seis mil pessoas e as levou ao Santo dos Santos. E ouvir o senhor Taylor rogar pela China era reco­nhecer algo do que significa a súplica fervorosa do justo. "

Foi em 1874 quando, com a esposa, subiam o grande rio Yangtze e ele meditava sobre as nove províncias que se es­tendiam dos trópicos de Burma ao planalto de Mongólia e as montanhas de Tibete, que Hudson Taylor escreveu:

"A minha alma anseia, e o coração arde pela evangeli­zação de centenas de milhões de habitantes dessas provín­cias sem obreiros. Oh! se eu tivesse cem vidas a dar ou gas­tar por eles!"

Mas, no meio da viagem, receberam notícias da morte da fiel missionária Amélia Blatchley, na Inglaterra. Ela não somente cuidava dos filhos do senhor Taylor, mas também servia como secretária da Missão.

Grande foi a tristeza de Hudson Taylor ao chegar à In­glaterra e achar não somente os seus queridos filhos sepa­rados e espalhados, mas a obra da Missão quase paralisa­da. Mas isso não foi ainda a sua maior tristeza. Na sua via­gem pelo rio Yangtze, o senhor Taylor, ao descer a escada do navio, levou uma grande queda, caiu sobre os calcanhares e de tal maneira que o choque ofendeu a espinha dorsal. Depois que chegou à Inglaterra o incômodo da queda agra­vou-se até ele ficar acamado. Sobreveio-lhe então a maior crise da sua vida, justamente quando havia maior necessi­dade de seus esforços. Completamente paralítico das per­nas, tinha de passar todo o tempo deitado de costas!

Uma pequena cama era a sua prisão; é melhor dizer que era a sua oportunidade. Ao pé da cama, na parede, es­tava afixado um mapa da China. E ao redor dele, de dia e de noite, estava a presença divina.

Aí, de costas, mês após mês, permaneceu o nosso herói, rogando e suplicando ao Senhor a favor da China. Foi-lhe concedida a fé para pedir que Deus enviasse dezoito mis­sionários. Em resposta aos seus apelos para oração, escri­tos com a maior dificuldade e publicados no jornal, sessen­ta moços responderam de uma vez. Dentre eles, vinte e quatro foram escolhidos. Ali, ao lado do leito, ele iniciou aulas para os futuros missionários e ensinou-lhes as pri­meiras lições da língua chinesa - e o Senhor os enviou para a China.

Lê-se o seguinte acerca de como o missionário inutiliza­do em corpo, nesse tempo, ficou bom:

"Ele foi tão maravilhosamente curado, em resposta à oração, que podia cumprir com um incrível número de suas obrigações. Passou quase todo o tempo das férias, com seus filhos em Guernsey, escrevendo. Durante os quinze dias que passou ali, apesar de desejar compartilhar da delícia da linda praia, com seus filhos, saiu com eles ape­nas uma vez. Mas as cartas que enviou para a China e ou­tros lugares valiam mais do que ouro."

Certo missionário assim escreveu acerca de uma visita que lhe fez na China:

"Nunca me esquecerei do gozo e da amável maneira com que me saudou. Conduziu-me logo para o 'escritório' da Missão do Interior da China. Devo dizer que foi para mim uma surpresa, ou choque, ou ambas as coisas. Os 'móveis' eram caixotes. Uma mesa estava coberta de inú­meros papéis e cartas. Ao lado do lume havia uma cama, bem arrumada, tendo um pedaço de tapete a servir de cobertor. Nessa cama o senhor Taylor descansava de dia e de noite.

"O senhor Taylor, sem qualquer palavra de desculpa, deitou-se na cama e travamos a palestra mais preciosa da minha vida. Toda a idéia que eu tinha das qualificações para ser um 'grande homem' foi completamente mudada; não havia nele coisa alguma do espírito de superioridade. Vi nele o ideal de Cristo, da verdadeira grandeza, tão evi­dente que permanece ainda no meu coração, através dos anos, até o presente momento. Hudson Taylor reconhecia profundamente que, para evangelizar os milhões da China, era imperioso que os crentes na Inglaterra mostrassem muito mais de abnegação e sacrifício. - Mas como podia ele insistir em sacrifício sem primeiramente praticá-lo na sua própria vida? Assim ele, deliberadamente, cortou da sua vida toda a aparência de conforto e luxo.

"Nas viagens pelo interior da China, ele, invariavel­mente, se levantava para passar uma hora com Deus antes de clarear o dia, às vezes, para depois dormir novamente. Quando eu despertava para alimentar os animais, sempre o achava lendo a Bíblia à luz de vela. Fosse qual fosse o ambiente ou o barulho nas hospedarias imundas, não des­cuidava o hábito de ler a Bíblia. Geralmente em tais via­gens, orava de bruços, porque lhe faltavam as forças para permanecer tanto tempo de joelhos.

- Qual será o assunto do seu discurso, hoje? - pergun­tou-lhe certo crente que viajava com ele, de trem.

- Não tenho certeza; ainda não tive tempo de resolver, respondeu-lhe Hudson Taylor.

- Não teve tempo! - exclamou o homem. - Ora, que faz o senhor a não ser descansar depois de assentar-se aí?

- Não conheço o que seja descansar. - foi a resposta cal­ma que ele deu.

"Depois de embarcarmos em Edinburgo, passei todo o tempo orando e levando todos os nomes dos membros da Missão do Interior da China, e os problemas de cada um, ao Senhor."

Está além da nossa compreensão como no meio de uma das maiores obras de evangelização de toda a história, ele podia dizer:"Nunca fomos obrigados a abandonar uma porta aber­ta, por falta de recursos. Apesar de muitas vezes gastarmos até o último pêni, a nenhum dos obreiros nacionais nem a nenhum dos missionários, faltou o prometido 'pão' coti­diano. Os tempos de provações são sempre tempos aben­çoados e o que é necessário nunca chega demasiado tarde."

Outro segredo do seu grande êxito de levar a mensagem de salvação ao interior da China era a determinação de que a obra não somente continuasse com caráter internacional, mas também, interdenominacional - que aceitasse missio­nários dedicados a Deus, de qualquer nação e de qualquer denominação.

Em 1878, ao regressar de uma viagem, começou a orar pedindo que Deus enviasse mais trinta missionários antes de findar o ano de 1879. Diremos, ao lembrarmo-nos do di­nheiro necessário para pagar as passagens e sustentar tan­tas pessoas, que a sua fé era grande. Pois bem, vinte e oito pessoas, com os corações acesos pelo desejo de salvação dos perdidos na China, confiando em Deus para o seu sustento cotidiano, embarcaram antes de findar o ano de 1878 e mais seis em 1879.

Conversando com um companheiro de lutas, na cidade de Wuchang, Hudson Taylor começou a enumerar os pon­tos estratégicos em que deviam começar logo a evangelizar os dois milhões de habitantes do vale do grande rio Yangt-ze e o do seu tributário, o rio Hã. Com menos de cinqüenta ou sessenta novos obreiros, a Missão não podia dar tal pas­so - e a própria Missão não tinha mais de um total de cem! Contudo, a Hudson Taylor foi dada a fé de pedir outros se­tenta - lembrado das palavras: "Designou o Senhor ainda outros setenta".

"Reunimo-nos hoje para passar o dia em jejum e ora­ção" - escreveu Hudson Taylor em 30 de junho de 1872. - "O Senhor nos abençoou grandemente... Alguns passaram a maior parte da noite em oração... O Espírito Santo nos encheu até nos parecer ser impossível receber mais sem
morrer."

Em certo culto, durante quase duas horas, louvaram ininterruptamente a Deus pelos setenta obreiros já recebidos - pela fé. E, em realidade, foram recebidos mais do que setenta, e dentro do prazo marcado.

O Senhor conduziu a Missão, pouco a pouco para uma visão ainda mais larga - levou os obreiros a pedirem ao Se­nhor outros cem, em 1887. Assim, disse o senhor Stephen­son: "Se me mostrassem uma foto de todos os cem, batida aqui na China, não seria mais real do que realmente é."

Contudo, Hudson Taylor não iniciou precipitadamente o programa de orar e se esforçar para receber mais cem missionários. Como sempre, devia ter certeza da direção de Deus antes de resolver orar e se esforçar para alcançar o alvo.

Seis vezes mais do que o número que pediram, se ofere­ceram para ir! Mas, a Missão rejeitou fielmente a todos que não concordaram com os princípios declarados desde o início. Assim, exatamente o número pedido embarcou para a China. - Não foram cento e um, nem noventa e no­ve, mas exatamente cem.

Depois da visita de Hudson Taylor ao Canadá, aos E.U.A. e à Suécia em 1888 e 1889, a Missão do Interior da China gozou de um dos maiores impulsos para avançar em todos os anais da história de missões. Assim escreveu de­pois, o nosso missionário, acerca do que lhe pesava grande­mente no coração durante toda a sua visita à Suécia:

"Confesso-me envergonhado de que, até essa ocasião, nunca tinha meditado sobre o que o Mestre realmente que­ria dizer ao mandar pregar o Evangelho 'a toda a criatura'. Esforcei-me durante muitos anos, como muitos outros ser­vos de Deus, para levar o Evangelho aos lugares mais dis­tantes; planejei alcançar todas as províncias e muitos dos distritos menores da China, sem compreender o sentido evidente das palavras do Salvador.

"'a toda a criatura'? O número total de comunicantes entre os crentes da China não excedia quarenta mil. Se houvesse outro tanto de aderentes, ou mesmo três vezes mais, e se cada um levasse a mensagem a oito de seus patrícios - mesmo assim, não alcançariam mais de um mi­lhão. 'a toda a criatura'! as palavras abrasavam-lhe o ínti­mo da alma. Mas como a Igreja, e eu mesmo, falhávamos em aceitá-las justamente como Cristo queria! Isso eu percebi então; para mim havia apenas uma saída, a de obede­cer.

"Qual será a nossa atitude para com o Senhor Jesus Cristo quanto a essa ordem? Suprimiremos o título Pe­nhor', que lhe foi dado, para reconhecê-lo apenas como nosso Salvador? Aceitaremos o fato de Ele tirar a penalida­de do pecado, e recusaremos a confessarmo-nos comprados por bom preço, e que Ele tem o direito de esperar a nossa obediência implícita? Diremos que somos os nossos pró­prios senhores, prontos a conceder-lhe apenas o que lhe é devido, a Ele que comprou-nos com seu próprio sangue, com a condição de Ele não pedir demasiado? As nossas vi­das, os nossos queridos, as nossas possessões são somente nossas, não são dele? Daremos o que acharmos convenien­te e obedeceremos à sua vontade somente se Ele não nos pedir demasiado sacrifício? Estamos prontos a deixar Je­sus Cristo nos levar aos céus, mas não queremos que esse homem 'reine sobre nós'?

"O coração de todos os filhos de Deus rejeitará, certa­mente uma afirmação assim formulada. Mas não é verda­de que inumeráveis crentes, em todas as gerações, se com­portaram tal como se isso fosse a base própria para suas vi­das? São poucas as pessoas entre o povo de Deus que reco­nhecem a verdade de que, ou Cristo é o Senhor de tudo, ou então não é Senhor de coisa alguma! Se somos nós que jul­gamos a Palavra de Deus, e não a Palavra que nos julga; se concedemos a Deus somente o quanto quisermos então so­mos nós os senhores e Ele o nosso devedor e, conseqüente­mente, Ele deve ser grato pela esmola que lhe concedemos; deve sentir-se obrigado por nossa concordância aos seus desejos. Se, ao contrário, Ele é Senhor então tratemo-lo como Senhor: 'E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?'"

Foi assim que Hudson Taylor, sem esperar, alcançou a mais larga visão da sua vida, a visão que dominou a última década de seu serviço. Com os cabelos já grisalhos, após cinqüenta e sete anos de experiência, enfrentou o novo sen­tido de responsabilidade com a mesma fé e confiança que o caracterizavam quando era mais novo. Sua alma ardia ao meditar nos alvos antigos! Ficou ainda mais firme ao exe­cutar a visão de outrora!

Foi assim que sentiu a direção de unificar todos os gru­pos evangélicos, que trabalhavam na evangelização da China, para orarem e se esforçarem para aumentar o nú­mero de missionários, enviando-se à China outros mil, dentro de cinco anos. O número exato enviado à China du­rante esse prazo, foi de mil cento e cinqüenta e três!

Não é, pois, de admitir que as forças físicas de Hudson Taylor começassem a faltar, não tanto pelas privações e cansaço das viagens contínuas, nem pelos esforços incan­sáveis em escrever e pregar, nem pelo peso das grandes e inumeráveis responsabilidades de dirigir a Missão do Inte­rior da China. Os que o conheciam intimamente sabiam que era um homem gasto de tanto amar.

A gloriosa colheita de almas na China aumentava cada vez mais. Mas a situação política do país piorava dia após dia até culminar na Carnificina dos Boxers, no ano de 1900, quando centenas de crentes foram mortos. Somente da China Inland Mission pereceram cinqüenta e oito mis­sionários, e vinte e um de seus filhos.

Hudson Taylor, com a sua esposa, estavam novamente na Inglaterra, quando começaram a chegar telegrama após telegrama avisando-os dos horripilantes acontecimentos na China; aquele coração que tanto amava a cada missio­nário, quase cessou de pulsar. Acerca desse acontecimento assim se manifestou: "Não sei ler, não sei pensar, nem mesmo sei orar, mas sei confiar."

Certo dia, alguns meses depois, Hudson Taylor, com o coração transbordante e as lágrimas correndo-lhe pelas fa­ces, estava contando o que lera em uma carta que acabara de receber de duas missionárias, escrita um dia antes de elas morrerem nas mãos dos boxers. Eis o que ele disse:

"Oh! o gozo de sair de tal motim de pessoas enfurecidas para estar na sua presença, para ver o seu sorriso!" Quan­do pôde continuar, acrescentou: "Elas agora não estão ar­rependidas. Têm a imperecível coroa! Andam com Cristo em vestes brancas, porque são dignas".

Falando acerca de seu grande desejo de ir a Shanghai, para estar ao lado dos refugiados, ele disse: "Não sei se poderia ajudá-los, mas sei que me amam. Se pudessem che­gar-se a mim nas tristezas para chorarmos juntos, ao me­nos poderiam ter um pouco de conforto." Mas ao lembrar-se de que tal viagem lhe era impossível por causa da saúde, a sua tristeza parecia maior do que podia suportar.

Apesar de sentir profundamente a sua incapacidade para trabalhar como de costume, achou grande conforto em estar com a sua esposa, a qual tanto amava. Findara o tempo em que deviam passar longos meses e anos separa­dos um do outro, nas lutas em tantos lugares.

Foi em 30 de julho de 1904 que sua esposa faleceu. "Não sinto nada de dor, nada de dor", dizia ela, apesar da ânsia em respirar. Então, de madrugada, percebendo a an­gústia de espírito do seu marido, pediu-lhe que orasse ro­gando ao Senhor que a levasse logo. Foi a oração mais difí­cil da vida de Hudson Taylor, mas por amor dela, ele orou pedindo a Deus que libertasse o espírito da sua esposa. Logo que orou, dentro de cinco minutos cessou a ânsia e não muito depois ela adormeceu em Cristo.

A desolação de espírito de Hudson Taylor sentiu depois da partida da sua fiel companheira era indescritível. Toda­via, achou indizível paz nesta promessa: "A minha graça te basta." Começou a recuperar as forças físicas e na pri­mavera fez a sua sétima viagem aos E.U.A. Daí fez a últi­ma viagem à China, desembarcando em Shanghai em 17 de abril de 1905.

O valente líder da Missão, depois de tão prolongada au­sência, foi recebido em todos os lugares com grandes mani­festações de amor e estima da parte dos missionários e crentes, especialmente dos que escaparam dos intraduzí­veis espetáculos da insurreição dos Boxers.

Em Chin-Kiang, o veterano missionário visitou o cemi­tério onde estão gravados os nomes de quatro filhos e o da esposa. As recordações eram motivo de grande gozo, isto é, o dia da grande reunião se aproximava.

No meio da viagem, quando visitava as igrejas na Chi­na, sem ninguém esperar, nem ele mesmo, findou a sua carreira na terra. Isso aconteceu na cidade de Chang-sha em 3 de junho de 1905. Sua nora contou o seguinte, sobre esse acontecimento:"O querido papai estava deitado. Como sempre gosta­va de fazer, tirou as cartas, dos queridos, da sua carteira e as estendeu sobre a cama. Baixou-se para ler uma das car­tas perto do candeeiro aceso colocado na cadeira ao lado do leito. Para que ele não se sentisse demasiadamente inco­modado, puxei outro travesseiro e o coloquei por baixo da sua cabeça e assentei-me numa cadeira ao seu lado. Men­cionei as fotografias da revista, Missionary Review, que es­tava aberta sobre a cama. Howard tinha saído para ir bus­car algo para comer, quando papai, de repente, virou a ca­beça e abriu a boca como se quisesse espirrar. Abriu a boca a segunda, e a terceira vez. Não clamou; não pronunciou qualquer palavra. Não mostrou qualquer dificuldade para respirar - nada de ânsia. Não olhou para mim, e não pare­cia cônscio... Não era a morte, era a entrada na vida imor­tal. Seu semblante era de descanso e sossego. Os vincos do rosto feitos pelo peso da luta de longos anos pareciam ha­ver desaparecido em poucos momentos. Parecia dormir como criança no colo da mãe; o próprio quarto parecia cheio de indizível paz."

Na cidade de Chin-Kiang, à beira do grande rio que tem a largura de mais de dois quilômetros, foi enterrado o corpo de Hudson Taylor.

Muitas foram as cartas de condolências recebidas de fiéis filhos de Deus no mundo inteiro. Emocionante foram os cultos celebrados em vários países, em sua memória. Impressionantes foram os artigos e livros impressos acerca das suas vitórias na obra de Deus. Mas as vozes mais des­tacadas, as que Hudson Taylor apreciaria mais, se pudesse ouvi-las, eram as das muitas crianças chineses, que, can­tando louvores a Deus, deitaram flores sobre o seu túmulo.

Assista um pouco a história de Hudson Taylor


Fonte: Biografia dos Heróis da Fé

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